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Maturidade, Sucesso e Projetos de TI
Darci Santos do Prado, Russell D. Archibald, George Leal Jamil, Carlos Eduardo Carvalho Andrade, Manuel Carvalho da Silva Neto
Novembro de 2010
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1. Introdução

A gestão de projetos tem sido crescentemente considerada disciplina essencial para o alcance de respostas às proposições estratégicas das empresas. Isto pode ser avaliado pela maneira como seus princípios, métodos, técnicas e até mesmo ferramentas desenvolvidas especificamente para gestão de projetos gradativamente são incluídas nas formas de pensar e executar o planejamento estratégico organizacional (PRADO, 2006) e (PRADO e ARCHIBALD, 2007).

Se assim é, torna-se oportuno avaliar, de forma comparativa, como as organizações se encontram em termos de suas habilidades e práticas. Tal forma de pensar encontra exemplo nas proposições de metodologias como o Balanced Scorecard (KAPLAN e NORTON, 2000) e nos modelos de qualidade de processos de desenvolvimento de software, como o CMM (SEI, 2007) e seus derivados. Nestes casos, tomados como referências, o que se busca é, através de matrizes de indicadores ou de práticas a serem aferidas, qualificar uma organização perante uma escala, ou definição de níveis, que exponha de forma relativa como ela se encontra perante uma meta final, um cenário considerado ideal, bem como orientá-la no desenvolvimento de suas atitudes visando à progressão perante os mesmos indicadores. Usualmente atribui-se a figura da maturidade (IBBS e KWAK, 2002), (CRAWFORD, 2006), (MULLALY, 2006), (PRADO, 2008) ao alcance de um determinado patamar, identificado como “nível de maturidade” organizacional, situando a empresa perante o mercado, utilizando-se os parâmetros de aferição. Na presente pesquisa considerou-se o modelo PRADO-MMGP, como descrito em PRADO (2008) como base para as análises realizadas.

Baseado na oportunidade evidenciada acima, de estudos relativos à maturidade em gestão de projetos, três pesquisas exploratórias foram conduzidas pela internet nos anos de 2005, 2006 e 2008, aplicando um modelo especialmente desenvolvido para mensurar este construto, chamado Prado-MMGP (PRADO, 2008). Este trabalho apresenta uma discussão sobre os resultados destas pesquisas, especificamente para os projetos da categoria sistemas de informação (software), segundo categorização proposta em ARCHIBALD (2003), enunciando possíveis relacionamentos entre maturidade e graus de sucesso em projetos.

2. Revisão de literatura

Considerando-se o objetivo do estudo em avaliar a relação entre maturidade em gestão de projetos e o grau de sucesso na execução dos projetos em si, define-se inicialmente o construto gestão de projetos em acordo com aquilo que é enunciado pelo Project Management Institute em suas publicações, notadamente no PMBOK® Guide (PMI, 2008). Devido ao conhecimento abrangente desta publicação, para a área de base da presente pesquisa, tais conceitos serão assumidos como de domínio ou de acesso conhecido, não sendo detalhados na revisão conduzida.

A associação entre a gestão de projetos e o alcance de objetivos e metas estratégicas é atestada por vários dos estudos sobre gestão de projetos, denotando uma nova forma de avaliar esta disciplina como essencial no planejamento e execução de estratégias empresariais. (ARCHIBALD, 2003), (PRADO, 2006), (PRADO, 2006a) e (PRADO e ARCHIBALD, 2007). Atesta tal fato, a afirmação no PMBOK (PMI, 2008:10) “Os projetos são freqüentemente utilizados como um meio de atingir o plano estratégico de uma organização”.

Diante de tal fato, emerge o interesse em, de forma análoga ao existente para várias disciplinas táticas, definir uma aferição das habilidades e competências de uma empresa em gerir seus projetos.

Uma figura geralmente incluída nas propostas dos modelos de aferição é o conceito de maturidade. Em PRADO (2008) define-se a maturidade como sendo a habilidade de uma organização em gerenciar seus projetos. Os modelos propostos para avaliação organizacional são usualmente desenvolvidos a partir da literatura da área de qualidade e construídos com base em contribuições de áreas específicas e das visões de praticantes de renome. Através desta fusão conceitual, os modelos de aferição se constituem em ferramentas que associam o aspecto teórico ao prático, possibilitando a identificação pretendida para a organização objeto de estudo.

No caso da pesquisa ora apresentada, utilizou-se o modelo PRADO-MMGP, documentado em PRADO (2008). Este modelo serviu de base para a realização de pesquisas setoriais nos anos de 2005, 2006 e 2008, que geraram os dados apresentados e discutidos neste trabalho. Cada estágio do processo evolutivo, definido pelo modelo PRADO-MMGP é assinalado por um nível discreto, conforme o modelo exposto na figura 1.


Figura 1 – Modelo PRADO-MMGP, segundo exposto em (Maturity Research, 2009)

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