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A inovação em nosso dia a dia
Flávio Boan - Setembro de 2011 Bookmark and Share

Atualmente, o termo “Inovação” tem sido bastante discutido em cursos de administração de empresas e também entre executivos de organizações em todo o mundo. Na maioria dos casos, a “Inovação” parece cercada de mistérios e baseada em premissas complexas e sofisticadas.

Nós, no INDG (Instituto de Desenvolvimento Gerencial), acreditamos que isso não precisa ser assim. A inovação pode ser algo simples de ser praticado e, ainda assim, produzir resultados excepcionais. Devemos considerar que “Inovar” significa simplesmente entender as reais necessidades dos mercados nos quais a organização opera (mercado consumidor, mercado de trabalho, mercado financeiro e a sociedade) e, a partir deste entendimento, melhorar seus produtos e processos, visando atender às novas necessidades das pessoas. Partindo esta premissa, a “Inovação” pode ser praticada por todos.

Não é difícil aceitar o fato de que a capacidade de inovar tornou-se um fator fundamental para a sobrevivência das organizações. Isto ocorre porque a frequência e a intensidade das mudanças se acentuam a cada dia, alterando de forma significativa o ambiente nos quais as empresas operam. Os clientes mudam suas exigências, a sociedade muda suas demandas, os concorrentes mudam suas estratégias, a tecnologia avança, o comportamento e as necessidades das pessoas evoluem e, como consequência de tudo isso, as organizações devem mudar. Daí decorre a importância da inovação.

Portanto, para tornar a inovação uma prática no dia a dia das pessoas, é necessário, antes de tudo, levar as metas estratégicas de inovação até a operação. O INDG apoia as organizações públicas e privadas neste sentido, por meio do “Gerenciamento Pelas Diretrizes - GPD”. Uma vez que os gestores possuem suas metas de inovação, o passo seguinte deve ser reprojetar seus produtos e processos, tendo em vista suas novas funções e o atendimento das novas necessidades dos mercados. Simples assim. Entretanto, o fato de ser simples não significa que seja fácil de ser executado. Muitas empresas gastam enorme quantidade de recursos, tanto financeiros como humanos, desenvolvendo seus planos de inovação que muitas vezes não saem do papel. Para garantir que a “Inovação” realmente aconteça são necessários três fatores: liderança, método e conhecimento técnico.

O mais importante destes três fatores é a liderança. É papel indelegável da liderança da empresa desafiar constantemente todos os seus colaboradores, em especial seu pessoal de nível técnico e gerencial com metas que forcem o processo de inovação, ou seja, que forcem um salto de desempenho. Além disso, a liderança deve valorizar as iniciativas que geram resultados excelentes por meio da inovação, criando modelos de avaliação desempenho e recompensa que incentivem estas práticas. Finalmente, também é papel da liderança instruir, educar e treinar seus liderados nos conceitos básicos da inovação, assegurando que eles estejam alinhados com as crenças e valores da empresa. Cabe a liderança criar a verdadeira “cultura da inovação” por meio de suas ações e exemplos.

O segundo elemento imprescindível para a prática da “Inovação” focada em resultados é a disponibilidade do conhecimento técnico para melhorar os produtos e processos atuais da empresa a partir das novas necessidades dos mercados. Este conhecimento é amplo e vai desde a pesquisa de mercado, passando por patentes de engenharia e estendendo-se às práticas de comunicação com o mercado. Com exceção das patentes, que são “mercadorias” caras e muitas vezes representam um diferencial competitivo guardado a sete chaves, todos os outros recursos técnicos necessários à inovação podem ser facilmente comprados do mercado, com algum investimento financeiro.

Finalmente, o terceiro fator imprescindível para uma prática inovadora bem-sucedida é o uso de um método para gerenciar a inovação. Nós acreditamos que a “gestão da inovação” também trata-se de algo simples que pode ser praticado por todos. A essência é saber Planejar, Executar, Checar e Agir Corretivamente, ou seja, saber seguir o método PDCA (Plan, Do, Check, Action) para inovar. A única diferença da prática do PDCA da inovação para o PDCA da melhoria contínua é que a “Inovação” começa perguntando para os clientes: “o que você espera receber dos nossos produtos (mercadorias ou serviços)”? As respostas a esta pergunta constituem a “voz do cliente” e é o ponto de partida da inovação. Os passos seguintes são desdobrar esta “voz do cliente” em especificações de produtos, processos e procedimentos operacionais. Este método é o que chamamos de “QFD” (Quality Function Deployment), ou seja, “Desdobramento da Função Qualidade”.

O desafio dos gestores modernos é atingir novos resultados por meio de mudanças constantes nas organizações. Em face deste desafio, nós acreditamos que difundir um gerenciamento simples, porém competente, é uma missão de grande relevância para nosso País. Um bom gestor, seja ele de uma empresa ou de uma nação, será aquele que conseguir conduzir seu time na missão de executar as mudanças necessárias à sobrevivência nos dias atuais.

Flávio Boan é graduado em Engenharia Elétrica e mestre em Engenharia de Produção pela UFMG. Consultor do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG) desde 2003, atua também como consultor líder de Projetos e consultor sênior de diversas empresas. É coautor do livro “QFD - Planejamento da Qualidade”.

Fonte: Revista DNews - Nº 41 - Setembro/2011.

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