Você está desempenhando função de liderança em importantes projetos na área pública. Qual tem sido o grande desafio de implantar o sistema de gestão neste segmento?
O maior desafio dos projetos não é muito diferente em organizações públicas ou privadas: é o de fazer com que as pessoas se sintam desafiadas e se movam, adquirindo conhecimentos, crescendo e obtendo resultados. Nas organizações públicas, entretanto, podemos afirmar que os aspectos políticos têm bem maior influência sobre a tomada de decisões. Por esta razão, geralmente, o bom andamento dos projetos exige do líder uma boa habilidade de perceber ambientes e articular-se, transitando entre as lideranças da organização de modo a garantir o bom andamento dos trabalhos.
E qual é a grande vantagem dessa missão?
Cabe ao INDG e ao seu quadro de consultores compreender a importância do trabalho que estamos fazendo para tornar o Brasil um País melhor. Devemos ser idealistas, se quisermos deixar para as gerações futuras um País competitivo, equilibrado economicamente, capaz de investir, com menor desigualdade social e uma carga de impostos equivalente à das grandes nações. Só alcançaremos este patamar de desenvolvimento se perseverarmos neste grande esforço de desenvolvimento gerencial em todos os níveis da gestão pública: municipal, estadual e federal. Esta é a vantagem de nossa missão: a de sabermos que estamos contribuindo, mais do que muitos, para a realização deste ideal.
Os resultados obtidos em clientes do setor público apresentam maior grau de visibilidade do que os alcançados em empresas privadas?
Sem dúvida, os resultados obtidos em clientes do setor público têm maior grau de visibilidade, uma vez que repercutem imediatamente sobre a população dos Municípios e dos Estados atendidos, ou mesmo do País como um todo. Em nossos projetos, não só buscamos reduções de despesas ou aumento de receitas, o que é, sem dúvida, importante, mas também atuamos diretamente na melhoria do desempenho das organizações e dos processos relacionados à educação, à saúde e à segurança da população, com resultados muito expressivos nestas áreas.
E a cobrança por resultados, é maior em qual delas? Qual a justificativa?
Sem dúvida, nas empresas privadas a cobrança por resultados é maior. Por razões importantes:primeiro, porque a utilização de boas práticas de gestão empresarial chegou antes à iniciativa privada; segundo, porque nas |
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organizações privadas a liderança é exercida mais fortemente, por meio da hierarquia, enquanto que nas organizações públicas a cobrança é inibida pelos aspectos políticos inerentes ao meio. De qualquer modo, pressionadas pela sociedade e com o apoio da iniciativa privada, as empresas públicas têm aprendido muito neste sentido e a cobrança por resultados tem sido cada vez mais forte.
De quais projetos no setor privado você está participando no momento?
No setor privado realizamos recentemente um trabalho muito interessante e, entendo, inovador. O projeto tinha como objetivo a melhoria dos resultados financeiros de um dos negócios de uma grande empresa, por meio da reestruturação organizacional e de processos de um dos seus departamentos. Ao longo do projeto, entretanto, verificamos que a simples reestruturação do referido departamento não seria suficiente para o atingimento dos resultados esperados. Mobilizamos então a direção da empresa e ampliamos o escopo do projeto, trabalhando com todo o staff gerencial e promovendo uma verdadeira reestruturação do negócio, considerando não só a cadeia de valor da empresa, como o sistema de valor da indústria de atuação como um todo. O resultado foi surpreendente e, em nenhum momento, ultrapassamos os recursos definidos para o projeto. Vendemos soluções e não produtos!
Assumir postura e tarefas de líder é conseqüência inevitável da evolução da carreira de muitos profissionais e também de consultores. Você consegue identificar, entre os membros de sua equipe, os que já estão preparados ou que já nasceram com essa vocação?
Determinadas características de um bom líder fazem parte da sua personalidade e este potencial já está lá desde o seu nascimento. Uma vez despertados, estes líderes natos despontam imediatamente, embora possam não ter ainda experiência suficiente para a utilização
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plena desta capacidade. Pessoas com esta vocação são facilmente identificadas e precisam ser bem conduzidas para que desenvolvam seu potencial e assumam, gradualmente, funções de liderança. Em minhas equipes já pude trabalhar com vários profissionais assim.
Um consultor pode manter-se motivado em qualquer momento de sua carreira ou esse grau de satisfação está ligado ao número de dias de consultoria ou ao nível de sua classificação?
Manter um elevado nível de motivação em qualquer momento da carreira não é fácil e talvez nem mesmo possível. As crises são inevitáveis e nos ajudam a crescer. Precisamos, então, encará-las como grandes oportunidades de mudança. Em minha vida profissional, aprendi a construir mudanças, antes que elas caíssem sobre a minha cabeça. A relação da motivação com os dias de consultoria ou com a classificação dos consultores, penso que não é expressiva. Mais importante, neste sentido, são os sentimentos de ser valorizado, de ser aceito e reconhecido pelo grupo, de confiar em si mesmo. A independência, a autonomia, a reputação e a plena realização do próprio potencial são também grandes fatores motivadores.
Pela sua experiência, como é possível conciliar a agenda e acompanhar diversos projetos ao mesmo tempo?
Não é fácil fazê-lo. Cheguei a liderar sete projetos simultaneamente, mas entendo que isto não é nada produtivo. Consegui, mas o stress foi alto demais e a qualidade de vida caiu muito. Hoje entendo que um bom líder deve permanecer mais tempo em cada lugar e não assumir muitos projetos ao mesmo tempo, sob pena de esgotar-se ou perder o domínio deles. O segredo da liderança é um só: capacitar, confiar e manter contato permanente com suas equipes, mantendo-se no nível estratégico dos projetos e focado em resultados.
Comentar sobre a receptividade que as equipes do INDG vêm recebendo nos clientes em geral.
Ainda há, em algumas empresas, restrições a consultorias. Especialmente quando somos contratados pela primeira vez. No entanto, à medida que permanecemos nas organizações, ajudando-as a crescer, somos reconhecidos como grandes aliados neste processo de desenvolvimento. Há empresas que atendo que, inclusive, anunciam com antecedência os próximos projetos, por nos considerarem um importante parceiro na construção da sua visão de futuro.
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