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Obama: desafios e esperança (25 de janeiro de 2009)
Passada a posse de Barack Obama, chegou a hora de se iniciarem as mudanças defendidas durante a sua campanha presidencial. A responsabilidade do novo presidente é proporcional aos desafios que se apresentam neste momento de forte crise global. Porém, talvez a tarefa mais complicada seja conciliar a expectativa otimista muitas vezes exagerada com a complexa realidade econômica mundial, marcada por uma crise de credibilidade.
Elenco abaixo três dos principais temas de impacto, não somente restritos ao mercado norte-americano, o maior do mundo, mas que possuem grande impacto no restabelecimento e manutenção de um equilíbrio econômico e social para as nações:
Crise – Na economia, o desafio é adotar ações firmes no combate à mais profunda das crises nos últimos 30 anos. A disparidade entre a regulamentação dos bancos comerciais em comparação com os de investimentos precisa ser urgentemente revista. Essa falta de regulação camuflou uma realidade insustentável que resultou em uma reação em cadeia, quebrando bancos, empresas e governos. Não tem sentido bancos de investimentos e fundos de hedge operarem sem limite do nível de endividamento e utilização de derivativos para alavancagem.
O desafio, porém, também pressupõe enfrentar a equação de consumo e gastos da população norte-americana, fortemente dependente da poupança internacional, especialmente da China. O impacto da relação entre poupança interna, consumo, relações comerciais e relações bilaterais com a Ásia deverá ter consequências para o restante do mundo, cuja dimensão é extremamente difícil de mensurar.
Energia – O debate sobre o desenvolvimento de fontes de energia renovável assume, cada vez mais, contornos internacionais, e os Estados Unidos representam um grande mercado com grandes potenciais para o Brasil. Apesar de o tema não estar em destaque na agenda do novo presidente, o Brasil tem todas as condições de posicionar-se como um parceiro capaz de fornecer alternativas energéticas confiáveis, em uma zona livre de conflitos.
Relações internacionais – A gestão Obama reflete uma mensagem de diversidade racial e cultural que faz com que o diálogo multilateral ganhe uma nova perspectiva, mudando de forma importante a condução das relações internacionais. Sua decisão de fechar a prisão de Guantánamo e de mudar práticas da CIA indica a priorização de valores mais humanos e pode construir novos rumos na condução da política externa americana, contribuindo fundamentalmente para a negociação de processos de paz.
Portanto, a expectativa é de que, para todos esses temas, Obama fuja de uma visão ortodoxa e busque um diálogo mais aberto, correspondendo ao conceito de mudança que representa. O novo presidente também carrega o significado da mobilização social a partir da atuação voluntária, fundamental para atender às necessidades da população em um mundo com recursos cada vez mais escassos.
A gestão Obama, aos olhos do mundo, significa uma nova estrutura de governo, com novas ideias e esperanças, capazes de permitir a construção de um mundo melhor. Mas para isso é preciso ter claro também que a superação da crise pressupõe uma mobilização global, envolvendo o desenvolvimento de práticas e políticas coerentes com os desafios que se apresentam.
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