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Artigos do Dr. Jorge Gerdau

Mudar aqui, ganhar lá fora (28 de junho de 2009)

Há décadas, o Brasil desperdiça chances de elevar sua participação no comércio global, enquanto o volume internacional de transações cresce exponencialmente. Apesar de acompanhar o crescimento do total das exportações mundiais nos últimos 40 anos, a participação brasileira seguiu sempre próxima de 1% no mesmo período. A China, enquanto isso, elevou sua participação de 1% para cerca de 9%.

Entretanto, também não podemos deixar de considerar o crescimento, em termos absolutos, das vendas brasileiras para o Exterior. Desde 2000, o avanço foi de quase quatro vezes, especialmente em razão da prosperidade econômica que o mundo e o Brasil experimentaram nesse período. Porém, o resultado poderia ser melhor.

O cenário atual apresenta desafios adicionais importantes. Com a crise mundial, as dimensões de mercado se reduziram drasticamente, principalmente pela diminuição da alavancagem do mercado financeiro. O comércio mundial caiu quase 40% entre o terceiro trimestre de 2008 e o primeiro trimestre de 2009. As exportações brasileiras acompanharam a tendência e registraram, entre janeiro e maio deste ano, um decréscimo de 22% em relação ao mesmo período de 2008. Consequentemente, a competição global está cada vez mais acirrada.

No Brasil, as exportações representam cerca de 25% da receita do setor industrial. Essa importante conquista do país também vem sendo atingida pela crise, especialmente em função da diminuição das exportações para os mercados norte-americano e asiático, com exceção da China.

Precisamos elevar a participação brasileira na fatia das exportações globais. Para isso, é fundamental analisar e resolver os problemas estruturais internos que freiam nossa competitividade.

O governo vem tomando atitudes positivas no que diz respeito ao mercado interno, como a redução do IPI para os segmentos automotivo e de eletrodomésticos e o plano de incentivo à habitação. Porém, faltam ainda ações mais concretas que promovam o aumento de nossa competitividade no Exterior.

Em primeiro lugar, é preciso desonerar os investimentos. Em nenhum país do mundo se pagam tantos impostos antes do início da produção como no Brasil. Além disso, exportamos tributos, o que encarece nossos produtos no Exterior. Isso poderia ser resolvido com a implantação de um sistema de compensação de impostos na exportação.

Há também os impostos que incidem sobre a folha de pagamento, que chegam a mais de 35% sobre o seu valor total. Uma economia moderna não onera a folha de pagamento de suas empresas com tributos – eles são estabelecidos sempre em relação ao consumo. Além disso, há o custo do dinheiro, que, para as empresas brasileiras, é de duas a três vezes mais caro em comparação com o mercado internacional.

A soma desses fatores encarece as cadeias produtivas, o que chega a alcançar de 12% a 20% do preço de seus produtos. A expressiva competitividade do mercado internacional não permite que a cadeia produtiva seja onerada com sequer 1%. Mudar esse cenário pode ser a diferença entre uma empresa perder ou ganhar um negócio. Nas últimas quatro décadas, temos mais perdido do que ganho. Não podemos continuar convivendo com isso, sob pena de condenar as próximas gerações a limitadas oportunidades de inserção no mercado de trabalho.

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Jorge Gerdau Johannpeter, 72 anos, é presidente do Conselho de Administração da Gerdau. Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), trabalha na organização desde 1954. Em 1983, ano que assumiu o comando da empresa.

Coordena a Ação Empresarial, um dos mais ativos movimentos para a busca da execução de reformas estruturais necessárias para o crescimento brasileiro. É presidente fundador do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e do Conselho Superior do Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade (PGQP). Também integra a Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), a International Academy for Quality (IAQ) e preside o Conselho de Administração do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG).

É presidente do Conselho de Governança do Movimento Todos Pela Educação. É membro do Conselho Diretor e do Comitê Executivo do World Steel Association e do Conselho do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS). Faz parte do Conselho de Administração e Comitê de Sucessão e Remuneração da Petrobras, do Conselho Superior Estratégico da Fiesp, do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Governo Federal e do Conselho da Parceiros Voluntários. A partir de 2009, passou a integrar o conselho consultivo do escritório brasileiro do David Rockfeller Center for Latin American Studies, mantido pela Universidade de Harvard.