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Artigos do Dr. Jorge Gerdau

O Brasil para nossos filhos e netos (20 de setembro de 2009)

Sempre me questiono se deixarei para meus filhos e netos um país melhor do que aquele que recebi de meus pais. Receio que, em alguns aspectos, isso não vá ocorrer. É verdade que registramos melhorias nas condições de vida da população brasileira nos últimos anos, mas também vemos a degradação de instituições importantes, como a política, em função dos diversos casos de corrupção que vivenciamos, ou a educação, com uma qualidade de ensino insuficiente para os desafios que temos de enfrentar em um mundo globalizado.

Isso ocorre porque não temos cumprido os deveres que cabem a cada um de nós como cidadãos. Todos nós temos três tipos de responsabilidade. A primeira é a profissional, pela qual temos de exercer nosso trabalho com qualidade e seriedade. A segunda é a responsabilidade de atuar solidariamente em nossa comunidade, procurando desenvolver atividades que ajudem a atender suas necessidades, de forma voluntária.

A última e mais importante é a nossa responsabilidade institucional com o país, ou seja, é a nossa contribuição para que a construção de um Brasil melhor, conceito que abrange, inclusive, nossas atividades do dia a dia. A soma das condutas de todos nós determina o futuro do país. Portanto, a ação de cada um é essencial para que possamos resolver o atraso institucional que ainda persiste no Brasil.

Muitos líderes não têm cumprido suas responsabilidades institucionais, embora devessem estar à frente do processo. Predomina o interesse individual e somente uma pequena parcela deles consegue olhar o país como um todo e ter a real visão sobre o que precisa ser feito. Para que isso mude, é preciso um entendimento entre as principais lideranças políticas, acadêmicas, empresariais, sindicais e sociais. Esses grupos precisam realmente debater e definir uma visão estratégica para o Brasil.

Os governantes, por exemplo, precisam alterar sua visão patrimonialista, por meio da qual a sociedade trabalha para servir o poder público. Os congressistas, por sua vez, devem olhar menos para interesses individuais e corporativos e mais para os problemas da nação. O empresariado, que normalmente tem uma postura individualista, precisa buscar uma maior integração com o setor público, de forma que o crescimento econômico alcance as taxas necessárias para a inclusão de mais pessoas no mercado de trabalho.

Além disso, universidades e setor privado precisam encontrar soluções para que as inovações científicas sejam mais bem aproveitadas em benefício de todos. A ciência deve ser orientada para a promoção do desenvolvimento econômico e social, e não apenas como um fim em si mesma. Já as lideranças sindicais precisam ampliar o debate sobre pontos cruciais do mercado de trabalho, como os elevados níveis de informalidade vigentes no país e não incluir novos entraves ao processo, como a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais.

Se cada indivíduo orientar seu comportamento tendo em mente suas responsabilidades com o país, tanto nas grandes decisões quanto nas pequenas atividades, poderemos ter uma mudança real no Brasil, gerando mais renda e empregos. Essa é uma tarefa de todos. É preciso, portanto, que cada um pergunte a si mesmo qual é o país que quer deixar para o futuro e o que está fazendo para obtê-lo. Se trabalharmos juntos, cumprindo nossas responsabilidades, podemos alcançar esse objetivo.

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Jorge Gerdau Johannpeter, 72 anos, é presidente do Conselho de Administração da Gerdau. Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), trabalha na organização desde 1954. Em 1983, ano que assumiu o comando da empresa.

Coordena a Ação Empresarial, um dos mais ativos movimentos para a busca da execução de reformas estruturais necessárias para o crescimento brasileiro. É presidente fundador do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e do Conselho Superior do Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade (PGQP). Também integra a Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), a International Academy for Quality (IAQ) e preside o Conselho de Administração do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG).

É presidente do Conselho de Governança do Movimento Todos Pela Educação. É membro do Conselho Diretor e do Comitê Executivo do World Steel Association e do Conselho do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS). Faz parte do Conselho de Administração e Comitê de Sucessão e Remuneração da Petrobras, do Conselho Superior Estratégico da Fiesp, do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Governo Federal e do Conselho da Parceiros Voluntários. A partir de 2009, passou a integrar o conselho consultivo do escritório brasileiro do David Rockfeller Center for Latin American Studies, mantido pela Universidade de Harvard.