Programa Mineiro da Qualidade e Produtividade

Considerado uma das maiores autoridades em gestão da qualidade, o Professor Vicente Falconi Campos, consultor respeitado internacionalmente, é um pioneiro. Desde 1984, vem se dedicando ao assunto. Hoje, setores inteiros da economia brasileira se tornaram competitivos até para os padrões do primeiro mundo, conquistando os exigentes mercados internacionais. À frente do Instituto de Desenvolvimento Gerencial - INDG, Falconi presta serviço de consultoria a empresas mineiras, brasileiras e estrangeiras, inclusive em seus países de origem, seja na América Latina, nos Estados Unidos ou na Europa. Autor de vários livros e uma referência quando se fala em gestão, Vicente Falconi concedeu ao Qualidade Minas a seguinte entrevista exclusiva:


Prof. Vicente Falconi Campos

Qualidade Minas: O senhor é pioneiro em gestão da qualidade no Brasil desde a década de 80, quando voltou do Japão com um revolucionário e eficaz modelo de gestão na bagagem, logo adotado por várias empresas nacionais. Chegou a haver mesmo uma febre de "qualidade total" no País, até um certo modismo, em determinado momento. Nesses 20 anos, o que mudou?
Vicente Falconi: Muita gente dominou o assunto e hoje eu não teria dúvidas em lhe afirmar que as empresas estão num bom nível de competitividade internacional, só falta um ambiente macroeconômico nacional menos hostil ao nosso empresário. Por outro lado estamos atuando também no exterior e isto é uma boa chance de observar como estão as empresas brasileiras em relação às suas concorrentes no exterior no tocante à capacidade gerencial. Não estamos mal.

Q.M.: As grandes empresas públicas e privadas instaladas no país adotam diferentes métodos de gestão com bons resultados, há bastante tempo. Aqueles setores da economia por natureza mais competitivos também. O senhor acha possível a disseminação ampla dessas práticas de gestão, pelos diversos setores da economia, chegando até as pequenas e micro empresas e à administração pública?
V.F.: Sem dúvida. A prática destes métodos e técnicas por um número cada vez maior de pessoas cria não só maior competitividade da economia como também maior capacidade de disseminação. Estamos criando gerentes (e futuros consultores) de elevada competência. Acredito que quanto melhor seremos no futuro. O conhecimento não tem dono, é inesgotável e cresce sempre. Basta que dê frutos.

Q.M.: Várias empresas exportadoras nacionais ou que operam no Brasil, especialmente as concentradas em algumas áreas como a siderúrgica, por exemplo, chegam a incomodar a concorrência externa até em seu próprio território, colocando no mercado internacional, nos países mais desenvolvidos, produtos de qualidade superior a preços muito competitivos. Isto reflete a obsolescência do parque industrial dos países mais ricos, a prática de "dumping" pelas empresas nacionais ou é competência mesmo?
V.F.: É competência gerencial mesmo. É lógico que no caso da siderurgia temos certas vantagens competitivas. No entanto, temos também as mais altas taxas de juros do mundo! Não faríamos o aço com a qualidade de exportação se não fôssemos bons gerentes.

Q.M.: O senhor vê o Programa Mineiro da Qualidade e Produtividade - PMQP como estratégico para o desenvolvimento econômico e social de Minas no médio e longo prazos?
V.F.: O PMQP é mais um agente promotor da difusão destas técnicas gerenciais e todo esforço nesta direção deve ser incentivado. Gostaria de reproduzir aqui uma frase de Peter Drucker que coloquei na primeira página de meu livro "Gerenciamento pelas Diretrizes" e que diz todo sobre a principal alavanca da competitividade no mundo em que vivemos: "Os fatores tradicionais de produção - terra,, mão-de-obra e até dinheiro, pela sua mobilidade - não mais garantem vantagem competitiva a uma nação em particular. Ao invés disto, o gerenciamento tornou-se o fator decisivo de produção".

Q.M.: Qual a importância do Prêmio Mineiro da Qualidade?
V.F.: Dentro de um esforço muito grande de difusão destes métodos e técnicas por todo o estado com a finalidade de trazer melhores condições de vida a todos os mineiros, o Prêmio poderia ser a comemoração dos resultados obtidos pelos mais esforçados.

Fonte: Qualidade Minas - Nº 2 - Julho/2003

 
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Vicente Falconi Campos é consultor de grandes grupos empresariais brasileiros e orientador técnico do INDG - Instituto de Desenvolvimento Gerencial; Ph.D pela Colorado School of Mines (USA); Engº e Professor Emérito pela UFMG; Membro do Conselho de Administração da AMBEV; Membro do Conselho de Administração da SADIA; Designado Membro da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica pelo Presidente da República em 2001. Publicou seis livros na área de Gestão Empresarial que venderam mais de um milhão de exemplares. Único Latino-americano eleito como "Uma das 21 vozes do Século 21" pela ASQ - American Society for Quality.

 
 

Palestra: “Sistema de Gestão
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