O Estrondo
25/7/2006


Nos últimos 30 anos temos nos dedicado a estudar, difundir, implementar e participar das coisas do gerenciamento empresarial.   Neste período participamos, ao vivo, de várias experiências interessantes e vitoriosas.   Qual poderia ser a nossa maior mensagem?   De tudo que vimos o que seria mais importante?   Que nós poderíamos deixar para nossos semelhantes como um super-resumo daquilo que vimos e experimentamos de mais importante?

Sem dúvida nenhuma a coisa mais importante que vimos foi o efeito da prática extensa e profunda do método PDCA, de forma disciplinada, por todas as pessoas da empresa, aliada a uma política para as pessoas que conduza à participação dedicada e voluntária.   Este efeito se traduz num desempenho da empresa que é superior àquilo que seus próprios executivos esperam dela!   É o atingimento de um ponto no qual o trabalho vira festa e alcançar novos patamares de desempenho se torna o fator motivador do time assim formado.   Sempre faço uma analogia com o vôo de um avião supersônico: ao atingir a velocidade do som, o avião provoca um estrondo que marca a entrada num novo regime de escoamento aerodinâmico.   As empresas que praticam o método de forma cada vez mais disciplinada, com competência técnica nos processos e por meio de todas as pessoas com dedicação e voluntariedade, num certo momento experimentam este “estrondo” e entram em um novo patamar de desempenho totalmente fora de qualquer nível conhecido.   No Brasil existem alguns exemplos de empresas assim ou “chegando perto”.

Por que nem todas as empresas são capazes de atingir estes patamares?   Imagino que devem existir várias explicações.   Uma delas é a falta de persistência e determinação.    Existem líderes que estão sempre à procura de uma nova ferramenta ou uma nova moda.   Outros procuram coisas complicadas porque não acreditam que as coisas simples são eficazes.   O segredo não está na novidade ou na complexidade, mas na execução disciplinada, por todas as pessoas, das coisas simples!!!    Todos têm que ter metas, planos de ação, prática disseminada de análise por toda a empresa, os padrões têm que ser cumpridos, deve haver disciplina nas reuniões, os desvios operacionais devem ser analisados e corrigidos, etc.    Outros ainda não percebem que, para entrar neste nível de desempenho, além dos fatores tradicionais de liderança, prática do método e conhecimento técnico do processo, precisam também ter todo cuidado com a dedicação voluntária de todas as pessoas.   Esta dedicação voluntária só é conseguida com a prática de uma política para as pessoas que esteja alinhada com os fundamentos propostos por Abraham H. Maslow para a atuação preventiva contra as patologias mentais humanas.

É fácil falar que estas coisas já são feitas.    O difícil é realmente executá-las por meio de todos os funcionários.   Só assim, com todo este empenho e com toda esta extensão, será possível conseguir o “estrondo”.

 
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Vicente Falconi Campos é consultor de grandes grupos empresariais brasileiros e orientador técnico do INDG - Instituto de Desenvolvimento Gerencial; Ph.D pela Colorado School of Mines (USA); Engº e Professor Emérito pela UFMG; Membro do Conselho de Administração da AMBEV; Membro do Conselho de Administração da SADIA; Designado Membro da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica pelo Presidente da República em 2001. Publicou seis livros na área de Gestão Empresarial que venderam mais de um milhão de exemplares. Único Latino-americano eleito como "Uma das 21 vozes do Século 21" pela ASQ - American Society for Quality.

 
 

Palestra: “Sistema de Gestão
com Foco Financeiro“

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