Ultimamente tem sido prática de muitas empresas terem o seu Diretor de Gestão. A intenção é ótima, pois hoje é bem profunda a convicção de que um Sistema de Gestão não é como um tapete que você compra e instala. Passam-se anos até que se tenha um bom sistema implementado. Isto é verdade porque como um Sistema de Gestão envolve todas as pessoas de uma empresa, ele depende muito de mudanças de atitude, de cultura, de educação e treinamento de todos, desde os membros de seu Conselho ao mais recentemente admitido operador. Conhecimento é coisa que leva tempo para o ser humano adquirir. Implementar um Sistema de Gestão em uma empresa é um processo que deve ser gerenciado para que se consiga sucesso.
Como deveria, pois, ser a atuação destes Diretores de Gestão? O certo seria termos um Gerente na posição e não um técnico. A atitude de um gerente é estabelecer metas e buscar ajuda para alcançá-la. A atitude de um técnico é querer fazer aquilo que sabe.
Temos observado a atitude de vários destes profissionais em sua função. Num certo caso a pessoa gastou quatro anos dando cursos (ele mesmo como instrutor) e a empresa não chegou a lugar nenhum. Pura ingenuidade desconhecer que treinamento, por si só, não leva a empresa muito longe: é preciso perder o medo da execução! Ele perdeu o cargo, e a empresa, para se recuperar, teve que contratar empresas de consultoria para dar conta do recado. Num outro caso, o Diretor montou uma equipe de consultores internos e passou a comandar a implementação do sistema. Esta é uma abordagem um pouco melhor, mas peca pelo fato de que os “consultores” são da empresa, querem manter os relacionamentos e neste caso é difícil serem agentes de mudança. Além do mais, se uma empresa confia somente numa equipe interna para este tipo de trabalho, ela entra num processo de endogenia, que é mortífero a longo prazo. Deixa de absorver toda a dinâmica de desenvolvimento do ferramental típico desta área do conhecimento.
O verdadeiro papel de um Diretor de Gestão é ter um Plano de desenvolvimento gerencial da empresa (pois existe uma hierarquia de subsistemas!), metas anuais e um bom sistema de diagnóstico para acompanhar o progresso. Ele deve, sim, utilizar recursos internos para os sistemas absorvidos, manter cursos internos principalmente nas universidades corporativas para os novos entrantes e utilizar também consultorias externas para o desenvolvimento de novos sistemas. Somente um bom gerente terá esta visão de seu trabalho. Diretoria de Gestão não é, definitivamente, lugar para técnicos!