Os Diretores de Gestão
25/8/2006


Ultimamente tem sido prática de muitas empresas terem o seu Diretor de Gestão.   A intenção é ótima, pois hoje é bem profunda a convicção de que um Sistema de Gestão não é como um tapete que você compra e instala.   Passam-se anos até que se tenha um bom sistema implementado.   Isto é verdade porque como um Sistema de Gestão envolve todas as pessoas de uma empresa, ele depende muito de mudanças de atitude, de cultura, de educação e treinamento de todos, desde os membros de seu Conselho ao mais recentemente admitido operador.   Conhecimento é coisa que leva tempo para o ser humano adquirir.   Implementar um Sistema de Gestão em uma empresa é um processo que deve ser gerenciado para que se consiga sucesso.

Como deveria, pois, ser a atuação destes Diretores de Gestão?    O certo seria termos um Gerente na posição e não um técnico.   A atitude de um gerente é estabelecer metas e buscar ajuda para alcançá-la.   A atitude de um técnico é querer fazer aquilo que sabe.

Temos observado a atitude de vários destes profissionais em sua função.   Num certo caso a pessoa gastou quatro anos dando cursos (ele mesmo como instrutor) e a empresa não chegou a lugar nenhum.   Pura ingenuidade desconhecer que treinamento, por si só, não leva a empresa muito longe:   é preciso perder o medo da execução!   Ele perdeu o cargo, e a empresa, para se recuperar, teve que contratar empresas de consultoria para dar conta do recado.   Num outro caso, o Diretor montou uma equipe de consultores internos e passou a comandar a implementação do sistema.   Esta é uma abordagem um pouco melhor, mas peca pelo fato de que os “consultores” são da empresa, querem manter os relacionamentos e neste caso é difícil serem agentes de mudança.   Além do mais, se uma empresa confia somente numa equipe interna para este tipo de trabalho, ela entra num processo de endogenia, que é mortífero a longo prazo.   Deixa de absorver toda a dinâmica de desenvolvimento do ferramental típico desta área do conhecimento.

O verdadeiro papel de um Diretor de Gestão é ter um Plano de desenvolvimento gerencial da empresa (pois existe uma hierarquia de subsistemas!), metas anuais e um bom sistema de diagnóstico para acompanhar o progresso.   Ele deve, sim, utilizar recursos internos para os sistemas absorvidos, manter cursos internos principalmente nas universidades corporativas para os novos entrantes e utilizar também consultorias externas para o desenvolvimento de novos sistemas.   Somente um bom gerente terá esta visão de seu trabalho.   Diretoria de Gestão não é, definitivamente, lugar para técnicos!

 
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Vicente Falconi Campos é consultor de grandes grupos empresariais brasileiros e orientador técnico do INDG - Instituto de Desenvolvimento Gerencial; Ph.D pela Colorado School of Mines (USA); Engº e Professor Emérito pela UFMG; Membro do Conselho de Administração da AMBEV; Membro do Conselho de Administração da SADIA; Designado Membro da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica pelo Presidente da República em 2001. Publicou seis livros na área de Gestão Empresarial que venderam mais de um milhão de exemplares. Único Latino-americano eleito como "Uma das 21 vozes do Século 21" pela ASQ - American Society for Quality.

 
 

Palestra: “Sistema de Gestão
com Foco Financeiro“

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