Pesquisas de Opinião
10/11/2006


Para projetar ou reestruturar os processos temos que, primeiro, conhecer como as pessoas reagem a seus produtos.   Sou favorável a evitar perguntar às pessoas o que elas pensam, muito embora, às vezes, não havendo outra maneira, isto tenha que ser feito.   Por exemplo:   você quer saber se as pessoas estão gostando da alimentação servida no restaurante da empresa.    Não pergunte!    Vá até a cozinha e efetivamente meça a quantidade de comida rejeitada nos pratos em gramas.   Verifique (e, se der, pese) cada item rejeitado e faça um Gráfico de Pareto.   Talvez você perceba que a batata amarela corresponde a 50% da rejeição.   Enfim, sempre que possível temos que fazer um esforço de pensar maneiras de medir a realidade (evidências objetivas).    Nós, seres humanos, somos mestres em sentir uma coisa e falar outra (não gosto de batata amarela mas, quando me perguntam, falo que "o ambiente do restaurante é ruim" ou que "existe segregação" ou que "depois que tal diretor assumiu a comida piorou"...).   Quando alguém nos pede a nossa opinião sobre alguma coisa, temos sempre a tendência de enfatizar os aspectos ruins ou, pior, relacionar o que foi perguntado com algo que nos desagrada e que nada tem a ver com o que foi perguntado.

Existem maneiras "defensivas" e maneiras "ofensivas" de atacar qualquer problema.    As maneiras defensivas são aquelas em que eliminamos os fatores de desagrado.   Por exemplo:   somos construtores de hospitais.   Após construir um hospital vamos pesquisar o que desagrada as pessoas e tratamos de eliminar estes itens nos próximos projetos.   Não é ruim fazer isto, mas não resolve totalmente o problema.   No entanto, o melhor, sempre que possível, é ser ofensivo.   Ser ofensivo é agregar fatores que sabemos que são importantes e agradam.   Estes são os fatores que agregam valor, ou seja, fatores pelos quais clientes estão dispostos a pagar.   Por exemplo:   fazemos lingüiças de várias tonalidades, colocamos num mostruário e solicitamos que as pessoas escolham.   Desta maneira saberemos a tonalidade que mais agrada e agregaremos este valor, devidamente medido, à nossa produção.

Pesquisas sobre a satisfação com os produtos internos e externos da empresa são fundamentais para a reestruturação dos processos de qualquer organização.   Saber o que é valorizado pelo cliente (análise de valor) é fundamental em qualquer negócio, mas as observações de minha vida sempre me mostraram que pedir opinião sobre algo nem sempre é o melhor caminho.   Devemos sempre procurar medir as "evidências objetivas" que retratem a verdade absoluta e que não sejam afetadas por nossos mais íntimos sentimentos, que, muitas vezes, nada têm a ver com o que se deseja saber.

 
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Vicente Falconi Campos é consultor de grandes grupos empresariais brasileiros e orientador técnico do INDG - Instituto de Desenvolvimento Gerencial; Ph.D pela Colorado School of Mines (USA); Engº e Professor Emérito pela UFMG; Membro do Conselho de Administração da AMBEV; Membro do Conselho de Administração da SADIA; Designado Membro da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica pelo Presidente da República em 2001. Publicou seis livros na área de Gestão Empresarial que venderam mais de um milhão de exemplares. Único Latino-americano eleito como "Uma das 21 vozes do Século 21" pela ASQ - American Society for Quality.

 
 

Palestra: “Sistema de Gestão
com Foco Financeiro“

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