O Desenvolvimento de Culturas
21/12/2006


Estamos o tempo todo desenvolvendo culturas em nosso país e em nossas empresas, para o bem ou para o mal, quer queiramos ou não.

Burrhus Frederic Skinner (1904-1990), professor de psicologia de Harvard, criou a teoria do behaviorismo, segundo a qual um certo comportamento, seguido de um estímulo positivo, resulta numa probabilidade crescente de que aquele comportamento se repita no futuro.   Um corolário desta teoria é que o indivíduo, com o tempo, tende a assumir o comportamento reforçado pelo meio.   Esta teoria é de fundamental importância para as sociedades em geral e para as empresas em particular.

Assisti e participei ao longo dos anos do processo de transformação da Brahma e depois da AmBev.   Certos tipos de comportamento foram sendo reforçados ao longo do tempo e acabaram por fazer parte da cultura.   Reparei que estes aspectos culturais sempre partem de um líder e vão se espalhando na comunidade.   Um dos comportamentos reforçados era o de "dono", ou seja, se você é responsável por algo você deve responder pelos resultados. Na Brahma notei, através dos anos, que, se você assumisse uma responsabilidade por um projeto qualquer e vencesse, haveria um paraíso esperando-o no final mas, se você perdesse, sua estrada se tornaria cada vez mais tortuosa e curta.   Se não houver conseqüências, a cultura não é disseminada.

Geralmente as empresas gostam de copiar práticas de outras empresas vencedoras sem atentar para estes fatos.   É natural que todos queiram copiar a AmBev.   Querem disseminar o comportamento de "dono" só chamando as pessoas de "dono" de algo ou pedindo para que elas assumam a posição de dono, mais nada.   Desta forma nunca se irá ter uma empresa de "donos".   Dono é aquele que assume de fato a responsabilidade, respondendo pelos resultados do projeto que assumiu e sabendo dos riscos em que está incorrendo como qualquer dono neste mundo:   se ganhar, paraíso, se perder, purgatório.   Foi isto que o famoso professor B. F. Skinner comprovou em suas pesquisas e alguns empresários que conheço provaram em suas vidas.

Tenho visto, em algumas empresas, pessoas assumirem projetos dispendiosos e de grande impacto para a empresa, fracassarem e nada acontecer.   Tudo continua na mesma.   Tenho grande respeito e consideração por todo empresário ("dono") porque, quando fracassa, quebra.   Isto é um fato da vida.   Quando isto não acontece dentro de uma empresa, que comportamento está sendo reforçado, segundo B. F. Skinner?   Eu lhe respondo: é o comportamento da irresponsabilidade, do não-dono.   As pessoas passam a entender que podem assumir qualquer responsabilidade e, vencendo ou perdendo, nada acontecerá! Que cultura é esta?

Nas empresas, como na vida, tudo tem que ter conseqüência.

 
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Vicente Falconi Campos é consultor de grandes grupos empresariais brasileiros e orientador técnico do INDG - Instituto de Desenvolvimento Gerencial; Ph.D pela Colorado School of Mines (USA); Engº e Professor Emérito pela UFMG; Membro do Conselho de Administração da AMBEV; Membro do Conselho de Administração da SADIA; Designado Membro da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica pelo Presidente da República em 2001. Publicou seis livros na área de Gestão Empresarial que venderam mais de um milhão de exemplares. Único Latino-americano eleito como "Uma das 21 vozes do Século 21" pela ASQ - American Society for Quality.

 
 

Palestra: “Sistema de Gestão
com Foco Financeiro“

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