Dados, Informação e Conhecimento
31/1/2007


Há alguns anos eu fui convidado por um amigo, Diretor de Vendas de uma grande empresa brasileira, a participar de sua reunião mensal de acompanhamento das metas de vendas em todo o Brasil.   Aceitei o convite e fiquei num canto da mesa, sem nada falar o tempo todo, só anotando.   Eram 3 dias de reuniões com outros Diretores regionais e alguns Gerentes, quando as metas eram discutidas uma a uma.   Não havia gráficos e eram utilizadas extensas tabelas de números (eu sentia preguiça só de ver as tabelas!).   A cada Diretor que se apresentava ele ia verificando meta por meta e perguntando as razões para os desvios e era, em certos pontos, uma reunião de cobrança bem dura.  No final voltei com muitas anotações e enviei um e-mail para meu amigo, expondo minhas idéias.

No e-mail o ponto principal era o argumento de que não havia análise.   Discutiam-se números sem que nenhuma análise fosse apresentada e a discussão, por muitas vezes, ficava na base da opinião de cada um.   Isto tomava um tempo enorme da reunião, sem nenhum proveito sólido.   Disse no e-mail que cada meta não atingida deveria ser analisada por seu responsável e um novo Plano de Ação alternativo deveria ser formulado e apresentado na reunião, juntamente com os resultados da análise das informações.   Isto evitaria o fato de que cada Diretor que não batesse algumas metas chegasse com "explicações" ou "desculpas" que nada agregam ao desenvolvimento da empresa.

Meu amigo entendeu e introduziu na empresa a prática da análise (como manda o método cartesiano!   René Descartes buscava a verdade por meio do método de análise).   Foi um verdadeiro sucesso!   Hoje em dia nenhum executivo da empresa, em qualquer nível, ousa ir a uma reunião para prestar contas de suas metas sem que tenha previamente feito a análise dos insucessos e proposto novos Planos de Ação.   Isto é hoje prática tão comum que é inaceitável pela cultura da empresa não proceder desta forma.   A conseqüência é que a empresa entrou num ritmo excepcional de resultados.

O que é análise?   É o processamento da informação existente de tal forma que dali possa ser tirado novo conhecimento, sobre o tema da meta, por meio da utilização de método e conhecimento científico, como, por exemplo, a estatística.    A empresa treinou 800 gerentes e Diretores no método e nas ferramentas, alguns em nível de Black Belts, e é hoje a mais competitiva do mundo em seu setor (tem a maior margem de EBITDA do mundo).   Algumas destas práticas de análise foram transformadas em software proprietário, o que possibilita à empresa analisar, praticamente on-line, as informações e disto tirar proveito.

Nos últimos 15 anos o mundo assistiu a um progresso extraordinário na área da informática, ao mesmo tempo que o custo do processamento e estocagem da informação caiu de forma dramática, sendo hoje plenamente possível e muito barato estocar informações de décadas.   Toda empresa com sistemas ERP tem hoje uma quantidade de informação estocada que possivelmente jamais utilizará.   No entanto, a análise destas informações poderá trazer à empresa novos conhecimentos que serão vitais à sua competitividade.   Muitas empresas não sabem o tesouro que têm escondido em seus bancos de dados e também não sabem como preparar seu pessoal para acessá-los.

Como estas mudanças na área da informática foram muito rápidas e o ser humano tem certa dificuldade de mudar suas crenças, seu comportamento (e, como conseqüência, a cultura dos grupos onde vive), a maioria das culturas organizacionais ainda não percebeu que o mundo está mudando rapidamente em torno de si.   O mundo atual conspira a favor de grupos de pessoas que estejam dispostos a mudar rapidamente e se adaptar às novas situações.

 
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Vicente Falconi Campos é consultor de grandes grupos empresariais brasileiros e orientador técnico do INDG - Instituto de Desenvolvimento Gerencial; Ph.D pela Colorado School of Mines (USA); Engº e Professor Emérito pela UFMG; Membro do Conselho de Administração da AMBEV; Membro do Conselho de Administração da SADIA; Designado Membro da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica pelo Presidente da República em 2001. Publicou seis livros na área de Gestão Empresarial que venderam mais de um milhão de exemplares. Único Latino-americano eleito como "Uma das 21 vozes do Século 21" pela ASQ - American Society for Quality.

 
 

Palestra: “Sistema de Gestão
com Foco Financeiro“

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