No início da década de 90 comprei um computador (25 MHz!!!) e instalei o programa Word. Quando queria usá-lo, ligava o computador, chamava o Word e ia fazer um café para esperar a configuração. Eu sabia que demoraria muito até que tudo estivesse pronto para ser usado. E-mail? Nem pensar. Internet? Nunca. Nessa época uma de minhas filhas foi estudar nos EUA e falávamos com ela pelo telefone, toda a família junta num viva-voz, uma vez por semana e era ela quem chamava, pois chamar do Brasil era muito caro!!!
Em meados da década de 90 começaram a aparecer a internet e os e-mails. Tudo muito lento ainda. Nesta época apareceu também o chip de 300 MHz, que já foi um grande avanço e possibilitou, com esta maior velocidade, o processamento de softwares mais pesados em notebooks. As universidades americanas, tendo em vista esta nova velocidade disponível, perceberam que poderiam agora colocar toda a estatística num só software (a IBM já tinha a estatística em software, mas dividida em várias sub-rotinas que levavam horas para ser processadas).
Já no final da década de 90 foi construída a nova telefonia brasileira (muito moderna por sinal), começaram a aparecer os sistemas ERP de gerenciamento das informações empresariais e a telefonia celular. A velocidade dos computadores continuava a aumentar, já chegando perto da unidade GHz. Os preços dos computadores continuavam a cair e a internet avançava rapidamente, entrando na área comercial com muito sucesso.
Hoje temos computadores de 3 GHz, velocíssimos, temos a banda larga e a internet rápida. Fico horas no computador falando com minhas netas em vídeo conferência sempre que quero, tudo muito barato. Tenho um backup de 500 Giga bytes que me permite colocar lá praticamente o que eu quiser. Posso assistir, em meu computador, a qualquer filme em DVD, em qualquer lugar. Daqui a pouco teremos TV e filmes nos celulares e mais coisas que nem posso imaginar.
Em menos de dez anos saímos de um deserto, em termos de informações, para um mundo novo, onde podemos estocar informações a custo muito baixo e onde dispomos de softwares razoavelmente sofisticados para processá-las. Esta rápida mudança pegou o pessoal das empresas despreparado. De repente temos uma verdadeira fortuna à nossa disposição e não sabemos como utilizá-la. Toda esta informação estocada e disponível nas empresas pode, por meio da análise, ser transformada em novo conhecimento, extremamente útil à tomada de decisões. Temos uma verdadeira fortuna enterrada nos bancos de dados e não sabemos como tirá-la de lá!
Lembro-me de que, há 25 anos, aprendemos com os japoneses a resolver problemas utilizando as sete ferramentas da qualidade, que eram adequadas para um mundo de pouca informação como eram as décadas de 80 e 90. Hoje, para alcançar um mundo de excesso de informações precisamos ser capazes de acessar diretamente (via hardware) bancos de dados de sistemas ERP, transferir grande quantidade dos dados necessários a nossos notebooks e processá-los com modernos softwares de estatística. Mudou radicalmente a maneira de tratar as informações. Passamos de um mundo de pouca informação para um mundo de excesso de informações. O mundo da Google!
Nada mudou na administração. Os princípios são os mesmos e os métodos são os mesmos. No entanto, as ferramentas mudam constantemente e ou nós capacitamos o pessoal de cada empresa a entrar neste novo mundo ou nunca extrairemos as riquezas ali contidas.