A Globalização e os Projetos de Excelência
28/2/2007


O aumento do ritmo das exportações tem sido muito positivo para o Brasil.   Foi possível pagar uma grande parte da dívida externa, eliminar a dívida interna atrelada ao dólar e constituir uma reserva razoável.   Por outro lado, as tendências mundiais nas áreas energética e ambiental indicam que o Brasil poderá ser um grande exportador de energia (biocombustíveis), o que traz mais perspectivas de entrada de divisas e conseqüente valorização do Real.   Este fato é uma ameaça à sobrevivência de alguns setores empresariais.   São exemplos os setores de calçados, tecidos, cerâmica, etc.   Falta aos Governos saber o que fazer para ajudá-los a sobreviver.

Qual a saída para estes setores?  Deve haver algumas, mas penso que certamente uma delas será fugir para mercados mais sofisticados onde existe a exigência de produtos de design especial, qualidade excepcional e condições comerciais e de suprimento mais regulares, com atendimento a clientes bem feito.  Isto exige que as empresas tenham um Sistema de Garantia da Qualidade de primeira linha.   A inovação só é possível quando baseada nestes sistemas.

Um outro fato profundamente correlacionado com este problema é a baixa capacitação destes setores, que estão sendo ameaçados pela globalização, em inovação.   Dou como exemplo um fato: um dia destes fiz uma visita de dois dias a uma grande e sólida empresa,  para verificar algumas de suas linhas de produção e seus sistemas de inovação.   Fiquei pasmo com o que vi.   Linhas qualificadas na ISO 9001 mas totalmente despreparadas para enfrentar clientes muito exigentes.   Creio que temos sido lenientes ao aprovar a qualificação de Sistemas de Garantia da Qualidade.   A qualificação em ISO 9001 é uma carteira de motorista que não lhe permite dirigir na Fórmula 1, e, para entrar em mercados qualificados, é necessário saber dirigir Fórmula 1!

Precisamos ir além e saber implementar sistemas de alto nível de exigência.   O que é necessário para isto?

Primeiro, é necessário ter um Diretor de prestígio na empresa e que esteja disposto a gerenciar toda a cadeia de produção, desde a concepção do produto até sua entrega ao cliente, tendo autorização para isto e se reportando diretamente ao Presidente.

Segundo, é necessário ter um padrão do Sistema de Garantia da Qualidade estabelecido e fazer de seu gereciamento um ato de cumprimento de padrões.   Uma rotina.

Terceiro, é necessário ter padrões bem estabelecidos e que permitam não só uma boa comunicação entre a engenharia e a produção mas também que sirva como base para o controle de processos.   Os procedimentos operacionais, atrelados aos padrões técnicos, devem servir de base à disciplina operacional.   Mecanismos fool-proof devem ser empregados onde não é possível confiar na capacidade humana.

Quarto, é necessário ter grande capacidade de solução de problemas e fazer disto uma atividade contínua.   Para isto deve-se ter os problemas constantemente listados e priorizados e suas respectivas metas cobradas no mínimo mensalmente.

Temos uma saída para o processo de globalização:   entregar aos países mais pobres o que é fácil de fazer e avançar no que é difícil.   Não tenho dúvidas de que esta será a saída para as empresas intensivas em mão-de-obra.   No entanto, o caminho é difícil e tortuoso.

 
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Vicente Falconi Campos é consultor de grandes grupos empresariais brasileiros e orientador técnico do INDG - Instituto de Desenvolvimento Gerencial; Ph.D pela Colorado School of Mines (USA); Engº e Professor Emérito pela UFMG; Membro do Conselho de Administração da AMBEV; Membro do Conselho de Administração da SADIA; Designado Membro da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica pelo Presidente da República em 2001. Publicou seis livros na área de Gestão Empresarial que venderam mais de um milhão de exemplares. Único Latino-americano eleito como "Uma das 21 vozes do Século 21" pela ASQ - American Society for Quality.

 
 

Palestra: “A Invasão dos Bárbaros e as Decisões Empresariais de Hoje”

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