Sem uma visão de futuro não dá para trabalhar com prazer
15/3/2007


Em minha trajetória de vida encontrei dois tipos de pessoas:   aquelas que fazem o que é mandado e que você tem que estar sempre admoestando e aquelas que sempre fazem muito mais do que é mandado e você está sempre  se surpreendendo positivamente.

Lembro-me de que, em nossos tempos de professor de universidade, o Chefe do Departamento de Engenharia Metalúrgica, onde eu trabalhava, era o Prof. Godoy.   Ele sempre dava algum encargo para cada um dos professores (em meu caso era sempre para me ocupar nos finais de semana...).     Certa feita ele deu um encargo para um dos professores e na segunda-feira lá estava a "tarefa terminada", localizada no escaninho do Prof. Godoy.   Ele deu uma olhada e não achou o trabalho muito bom:   estava incompleto.   Mandou o trabalho de volta, com um bilhete especificando o que faltava.  No dia seguinte lá estava, de novo, no escaninho a "tarefa terminada".   O referido professor fez o mínimo possível em cada coisa solicitada e devolveu assim mesmo.   O Prof. Godoy leu e não gostou outra vez,  mandando outro recado ao professor e pedindo outras melhorias.   No dia seguinte lá estava a "tarefa terminada" e, desta vez, um bilhete com a mensagem:   "Fiz o melhor que pude.   Não consigo acrescentar nada mais."    Esta pessoa,  ao fazer isto,  passa uma mensagem muito ruim.   Ela provavelmente detesta o que faz e não realiza em seu trabalho nenhum sonho ou visão de futuro.   Vive burocraticamente o dia-a-dia e qualquer simples encargo deve ser extremamente pesado.   Hoje, passados uns 20 anos, analiso a situação e entendo melhor porque uma pessoa se dá bem na vida.   Aquele professor não me parece um vencedor.   Nunca ouço falar dele.

Por outro lado,  existem pessoas que se entusiasmam com seu trabalho e conduzem as suas obrigações como se fossem  o caminho para realizar um sonho.   Nunca recebem um encargo como se fosse algo pesado.   Sempre fazem mais do que lhe pedem pois o que  fazem decorre de sua atitude na vida.    Numa situação de trabalho como esta,  tudo que se faz é leve,  pois a pessoa ama o que faz.   O tempo passa rapidamente.   Descobri em minha vida que só se consegue excelência quando se ama o que faz.   Conheci várias pessoas que já eram ricas e tinham tudo que precisavam.   No entanto, trabalhei com elas vários finais de semana e o trabalho era sempre alegre e produtivo.   Definitivamente, as pessoas não trabalham só pelo dinheiro e quem o faz não sabe o que está perdendo na vida.

Qual o seu sonho em seu trabalho?   Qual sua visão para o futuro?   Por mais modestos que sejam os seus encargos,  pense grande, sonhe alto, pois,  se você realizar pelo menos parte do sonho,  você vai deixar sua marca por onde passar e todos demandarão o seu trabalho.  

Vamos supor que você tenha entre seus encargos a manutenção de uma Home Page.   Você poderá enxergar seu trabalho burocraticamente,  e neste caso,  manter uma Home Page vai ser dureza!!!   Agora, sonhe alto.    Imagine ter sua Home Page transformada num Portal,  em alguns anos, com um milhão de visitantes por mês.   Imagine dentro de alguns anos transformar a sua Home Page numa empresa independente,  com profunda penetração em certos mercados.   Se você acreditar nisto,  vai acabar realizando algo extraordinário e,  pelo que mostra minha experiência de vida,  quando a gente sonha alto geralmente chega mais longe do que jamais imaginou,  pois sua atitude faz a caminhada.   O entusiasmo do dia-a-dia torna tudo leve e o conduz no caminho certo (a palavra entusiasmo vem do grego e quer dizer "entronizado pelo Espírito Santo").   Isto diz tudo!

 
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Vicente Falconi Campos é consultor de grandes grupos empresariais brasileiros e orientador técnico do INDG - Instituto de Desenvolvimento Gerencial; Ph.D pela Colorado School of Mines (USA); Engº e Professor Emérito pela UFMG; Membro do Conselho de Administração da AMBEV; Membro do Conselho de Administração da SADIA; Designado Membro da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica pelo Presidente da República em 2001. Publicou seis livros na área de Gestão Empresarial que venderam mais de um milhão de exemplares. Único Latino-americano eleito como "Uma das 21 vozes do Século 21" pela ASQ - American Society for Quality.

 
 

Palestra: “A Invasão dos Bárbaros e as Decisões Empresariais de Hoje”

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