Decisões Estratégicas
30/4/2007


No passado o mundo era mais lento.  As mudanças ocorriam mais vagarosamente e o tempo de acomodação não preocupava.  Um Diretor de empresa tomava uma decisão e, como o mundo mudava pouco à sua volta, geralmente dava certo e, se algo dava errado, pequenos ajustes eram suficientes.  Ninguém precisava se preocupar muito com decisões estratégicas.  A experiência passada era suficiente para o futuro.  Havia mais preocupação com o poder do que com o desempenho.

Nos últimos anos tem acontecido uma perceptível aceleração dos acontecimentos.  Por exemplo, quando se decide a construção de uma fábrica, estamos pensando num horizonte, talvez, de uns 50 anos.  A escolha do local, do porte, da tecnologia, etc., pode determinar a competitividade da empresa por um longo tempo.  É muito difícil decidir hoje e operar no futuro!  Você constrói a fábrica e dentro de uns dez anos ela pode estar inviabilizada pela localização, pela tecnologia, ou por outro motivo qualquer. 

Temos vivido uma era de grande espanto.  Não sabemos a extensão das crises que advirão das mudanças climáticas.  Elas poderão ser gigantescas.  Grandes deslocamentos de seres humanos fugindo de regiões próximas ao mar (acredita-se que, em vista da situação de hoje, 200 milhões de pessoas já estão condenadas a migrar nos próximos 20 anos. Para onde?);  fome provocada pela desertificação de solos;  falta de água em certas regiões pela mudança do ciclo das chuvas, etc.  Também não sabemos a extensão dos problemas que advirão da crise de energia que irá ocorrer.  A partir de algum ponto, entre 2010 e 2015, de acordo com a curva de Hubbert, o preço do petróleo sofrerá pressões enormes de forma a adequar o seu consumo aos níveis possíveis.  É possível que já em 2010 seu preço passe de $100 dólares/barril.   Nossa sociedade é tão dependente do petróleo que estes novos patamares de preço deverão impor mudanças estruturais dramáticas em muito pouco tempo.    

Operar empresas de forma eficiente sempre foi e será muito importante.  É óbvio.  No entanto, nos dias em que estamos vivendo,as decisões estratégicas assumem uma importância vital.  Não é possível para uma empresa traçar o seu futuro sem uma prospecção detalhada do que está por vir.  Da mesma forma, os problemas futuros de um país poderão ser amenizados pela tomada de decisões estratégicas corretas.  Temos consciência de que está cada vez mais difícil prospectar o futuro, no entanto, tudo leva a crer que deveríamos estar investindo muito mais do que estamos neste sentido.  O que vem por aí não será fácil!  

As decisões estratégicas assumem uma importância inusitada e a demanda sobre o desempenho de Diretores deverá crescer neste sentido.  Nunca foi tão importante ter uma visão estratégica do negócio.  A Formulação Estratégica será o componente vital de qualquer Sistema de Gestão.

 
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Vicente Falconi Campos é consultor de grandes grupos empresariais brasileiros e orientador técnico do INDG - Instituto de Desenvolvimento Gerencial; Ph.D pela Colorado School of Mines (USA); Engº e Professor Emérito pela UFMG; Membro do Conselho de Administração da AMBEV; Membro do Conselho de Administração da SADIA; Designado Membro da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica pelo Presidente da República em 2001. Publicou seis livros na área de Gestão Empresarial que venderam mais de um milhão de exemplares. Único Latino-americano eleito como "Uma das 21 vozes do Século 21" pela ASQ - American Society for Quality.

 
 

Palestra: “A Invasão dos Bárbaros e as Decisões Empresariais de Hoje”

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