Mudanças Culturais
8/5/2007


Acredito que as diferenças culturais entre empresas são maiores que as diferenças entre nações.   Quem é consultor sabe disto.   Você visita uma empresa hoje e amanhã desembarca em outra.   Parece que atravessou um oceano!   Existem culturas que são melhores para os dias de hoje e outras que são piores e é comum Presidentes desejarem mudar a cultura de suas empresas.

Recentemente um Diretor de RH, por quem tenho especial consideração, me telefonou dizendo que queria reunir seu time comigo para conversar de forma não estruturada sobre "Mudanças Culturais".   Topei.   Gosto demais de conversas temáticas como estas.   Descompromissadas.   Cada um fala o que quer. 

Disse para eles que não acredito em Mudanças Culturais desestruturadas.   Temos que ter um método para isto. 

Primeiro:   é necessário que o Presidente lidere este esforço, pois as pessoas tendem a fazer aquilo que é realmente valorizado pelas chefias.   Este negócio de dizer uma coisa e fazer outra não pega.   As pessoas vão se comportar em função daquilo que é real. 

Segundo:  é necessário que a liderança tenha uma série de valores pelos quais esteja disposta a lutar.   Também aqui falar uma coisa e fazer outra não pega.    O melhor é fazer uma lista de valores a serem seguidos e que não sejam produto de pura boa intenção, mas daquilo que realmente se quer realizar.   Por exemplo:   todo mundo quer uma empresa cujas pessoas tenham um comportamento ético.  Ótimo.   Temos que delinear quais são os limites da ética.   Vale aceitar presentes de fornecedor?   Qual o limite?   Quem calcula estes limites?   Ou é melhor simplesmente não aceitar nada?  Enfim, temos que ir aos detalhes.   Os valores devem ter um regulamento e ser discutidos ao limite com todos. 

Terceiro:  é necessário ter um método gerencial universal.    O bom senso já foi execrado por Descartes em 1600 porque cada um tem o seu (Descartes já dizia naquela época que "o bom senso deve ser o bem mais bem distribuído do mundo, pois ninguém deseja ter mais do que o que já tem!").   Temos que ter um método que seja comum.   Por exemplo:   qual o padrão de condução de uma reunião de acompanhamento de metas?   Como estabelecer um Plano de Ação?,   etc.

Não acredito que seja possível fazer "mudanças culturais" somente com treinamentos em sala de aula ou com cartazes de propaganda.   Também não acredito em apelos.  Temos que ter regras claras e é necessário haver conseqüências.    Quem se comportar fora do esperado deve sair do barco.   Se isto não acontecer, estará sendo dado o recado de que nada é para valer!   Neste caso:   Adeus "mudanças culturais"!!!

 
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Vicente Falconi Campos é consultor de grandes grupos empresariais brasileiros e orientador técnico do INDG - Instituto de Desenvolvimento Gerencial; Ph.D pela Colorado School of Mines (USA); Engº e Professor Emérito pela UFMG; Membro do Conselho de Administração da AMBEV; Membro do Conselho de Administração da SADIA; Designado Membro da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica pelo Presidente da República em 2001. Publicou seis livros na área de Gestão Empresarial que venderam mais de um milhão de exemplares. Único Latino-americano eleito como "Uma das 21 vozes do Século 21" pela ASQ - American Society for Quality.

 
 

Palestra: “Sistema de Gestão
com Foco Financeiro“

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