A crônica anterior trata da origem das mudanças impostas às empresas brasileiras nos momentos que vivemos. Esta tratará da Reação das Empresas. Algumas ameaças a empresas brasileiras dos setores de calçados e tecidos já foram percebidas. Outras virão em intensidades diferentes conforme o grau de sua exposição aos efeitos cambiais. Para exportadores de commodities e algumas empresas que consomem matérias-primas importadas e vendem seus produtos no mercado interno "o céu é de brigadeiro". Portanto, os efeitos são variados.
A pergunta que se pode fazer é a seguinte: "Que fazer diante destas ameaças que evoluirão em setores e intensidades diferentes?" Vou propor abaixo uma lista geral. Cada empresa, em função de seus desafios, terá prioridades diferentes dentro desta lista.
1. Cuidado com seu capital - Mantenha controle rígido sobre todos os fatores de utilização do Capital Empregado. Monitore seu capital de giro. Cuidado com prazos. Tenha a consciência de que todo estoque é ruim. Não invista em projetos duvidosos. Antes de investir vá fundo na análise do negócio.
2. Corte custos eternamente e com a participação consciente de todos - O corte de custos deve ser feito de forma consciente. Não propomos reduzir a qualidade de produto nem mesmo reduzir o bem-estar dos funcionários para diminuir custos. O primeiro passo a ser dado para reduzir custos é conhecer a sua natureza. Somente conhecendo a natureza dos custos e seu tamanho relativo é possível traçar um projeto de redução destes custos. O problema que tenho observado com custos é que geralmente as pessoas nem imaginam o nível a que podem chegar. Quanto mais se avança na cultura de redução de custos mais aparecem novas oportunidades. Este é o único fator de competitividade totalmente sob seu controle. Redução de custos é uma atividade que deveria ser constante, pois níveis excepcionais só são atingidos após muitos anos. Pergunte a quem tem experiência.
3. Invista em Marketing e Vendas - O Brasil passou muitos anos de sua história com seu mercado totalmente fechado (ainda é um dos mais fechados do mundo!) e este fato criou uma geração de profissionais de vendas cujo trabalho era apenas "tirar pedidos". Nossos sistemas de vendas não eram organizados para competição e para tirar o máximo do mercado. Hoje, quando pensar em vendas, pense em Processo de Vendas e trate este processo com toda a tecnologia de método disponível. Existem riquezas enormes a serem extraídas do mercado, principalmente em precificação precisa ponto a ponto. Trate cada ponto de venda como sendo único.
4. Invista em Inovação - A inovação sempre decorre do mercado. Conheça seu mercado. Qualquer esforço de inovação deve ser feito em direção a metas bem definidas. Que você deseja com a inovação? Melhoria da qualidade (preferência) do produto? Redução de custos? Melhoria das condições de entrega (quantidade certa, local certo, produto certo, dia certo)? A inovação deve ser focada na prioridade assim definida e se iniciar pelo produto (interno ou externo) e depois passar ao processo.
5. Tenha metas bem colocadas para todos - Quando as pessoas têm metas, fica mais fácil saber quem é bom de fato e quem só fala que é. Colocar metas para todos é tarefa de profissional. Tenha cuidado com isto. Convoque quem entende do assunto para ajudá-lo. Monte um sistema de acompanhamento mensal implacável. Dentro de pouco tempo você saberá, perfeitamente, quem está com você ou não! Tire do time quem não estiver.
6. Invista em pessoal - Somente as pessoas encontrarão as soluções para seu negócio. Cada um encontra a solução que seu conhecimento, experiência e potencial permitem. Recrute e selecione os melhores. Desenvolva um sistema de avaliação de desempenho que retrate a verdade e não as preferências pessoais. Reconheça o mérito de quem tem. Pague bônus generosos a quem mereça. Dê sociedade aos poucos excepcionais. Tire do time quem não tenha paixão pelo negócio.
As empresas que fizerem estas coisas com dedicação, dia a dia, mês a mês, ano a ano, nada terão a temer. Elas dominarão o futuro.