Procrastinação nas Empresas
24/10/2007


Recebi um telefonema de um consultor líder de um de nossos projetos, contando-me de seus apertos.   Estava no sexto mês do projeto, nenhum resultado tinha ainda aparecido e a Diretoria havia marcado uma reunião para fazer o acompanhamento do projeto.   Neste ritmo acabaríamos perdendo o cliente.   

Nós temos um certo ritmo de trabalho, que começa por um diagnóstico básico, nada muito profundo, para determinar as principais lacunas (as frutas mais baixas e mais maduras...).   Depois de validadas as lacunas com o pessoal da empresa, passamos a estabelecer as metas e em seguida os planos de ação.   Até este ponto o trabalho vai bem, sem maiores problemas, com boa cooperação por parte do pessoal do cliente.  Estabelecidos os planos de ação vem a hora da execução e aí é que às vezes "a vaca vai para o brejo".   Certas pessoas apóiam entusiasticamente todo o trabalho mas não executam as ações do plano.   Creio que acham desnecessário.   É como se o simples fato de se estabelecer uma meta ou fazer um plano fosse o bastante para "sentir" que o progresso havia sido feito.    Existe muita gente que se sente plenamente realizada somente com a meta e o plano.   Isto, provavelmente, as faz sentir que "já chegaram lá".   É um mecanismo psicológico que nunca entendi.

Naquele telefonema mencionado falei com nosso consultor líder:   "olhe, se os resultados não estão aparecendo, das duas uma, ou os planos foram mal feitos porque falta conteúdo técnico ou então os planos estão bons mas não foram executados, faltou liderança.   Se eu fosse você, mandaria sua equipe checar a implementação de ação por ação.   Leve os resultados para a reunião da Diretoria e mostre".    Passados três dias ele me telefonou de novo:   "Falconi, você não vai acreditar, a taxa média de implementação dos planos é inferior a 5%!   Se eu mostrar isto à Diretoria, vou entregar as chefias e criar um ambiente ruim para nós".   Disse a ele:   "é melhor que saiamos de lá porque falamos a verdade do que devido à falta de resultados.   Não acredito que sairemos.   Vamos à luta!"

Os índices de implementação dos planos foram mostrados na reunião, causando um grande constrangimento, mas o resultado final foi que, a partir daquele dia, os resultados começaram a aparecer e nós já estamos na empresa há 4 anos, produzindo excelentes resultados.   Consultor não pode fazer concessões e deve lutar pelo resultado positivo para o cliente, mesmo que para isto arrisque sua própria posição.   Esta é uma das crenças que os fundadores do INDG têm procurado, o tempo todo, difundir para nossos consultores, e assim temos construído uma credibilidade inabalável, que é a base sobre a qual estamos construindo nosso futuro.   Com o tempo o cliente descobre que pode confiar.   O interessante é que, para construir esta credibilidade por parte dos clientes, temos que estar dispostos a enfrentar o próprio cliente!!!

 
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Vicente Falconi Campos é consultor de grandes grupos empresariais brasileiros e orientador técnico do INDG - Instituto de Desenvolvimento Gerencial; Ph.D pela Colorado School of Mines (USA); Engº e Professor Emérito pela UFMG; Membro do Conselho de Administração da AMBEV; Membro do Conselho de Administração da SADIA; Designado Membro da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica pelo Presidente da República em 2001. Publicou seis livros na área de Gestão Empresarial que venderam mais de um milhão de exemplares. Único Latino-americano eleito como "Uma das 21 vozes do Século 21" pela ASQ - American Society for Quality.

 
 

Palestra: “Sistema de Gestão
com Foco Financeiro“

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