A Máquina do Enriquecimento
31/10/2007


Há uns 30 anos, eu era Assessor da Diretoria da Acesita quando fui ao Nordeste Brasileiro, junto com toda a Diretoria da empresa, a convite da SUDENE.    A SUDENE queria que a Acesita plantasse eucalipto no Nordeste.   

A jornada foi muito interessante, não só pelas visitas de campo (fomos à região de Petrolina) mas também pela reunião na sede da SUDENE.    Lá ouvi uma palestra sobre algumas experiências da SUDENE, umas bem-sucedidas e outras nem tanto.   Achei que foram bem sinceros.    

Contaram-nos o caso do fracasso do incentivo à plantação de feijão no Nordeste.    Naquela época, na esperança de matar a fome do nordestino e desenvolver produtores rurais no Nordeste com a venda do produto na própria região produtora, passaram a financiar vários fazendeiros e sitiantes para a plantação de feijão.   A iniciativa foi um desastre e a causa do fracasso foi que os agricultores não encontravam a quem vender sua produção (quem tinha fome não tinha dinheiro para comprar comida!) e acabavam por perder tudo.   Não havia naquela época nenhum mecanismo de estocagem e comercialização da safra nem mesmo um mercado estabelecido.   Não podia dar certo.   A grande lição do fracasso foi aprendida: para que haja produção, e portanto trabalho e renda, é necessário que exista um mercado comprador que disponha de dinheiro para tal.

Hoje a situação está mudando rapidamente com a entrada de centenas de milhões de pessoas na economia mundial (China, India, Brasil, etc.), além do esgotamento das reservas mundiais de petróleo, que poderá se transformar de uma ameaça a uma esperança de que finalmente tenhamos uma verdadeira máquina de enriquecimento do ser humano.   A entrada de mais pessoas na economia e a transferência de recursos do petróleo para os combustíveis originários da biomassa e, como conseqüência, para os grãos em geral, criam um excelente mercado comprador de produtos da terra com dinheiro suficiente para criar trabalho para o ser humano em todo o mundo aumentando ainda mais a inclusão de pessoas na economia e, portanto, colocando mais pressão sobre a demanda de alimentos.

A perspectiva de produção do álcool e de óleos a partir de produtos agropecuários cria um mercado gigantesco e espalhado em todo o mundo para toda a produção agrícola.   Alguns líderes mundiais têm mostrado preocupação de que o uso do álcool e óleos vegetais venha a encarecer os alimentos.   Realmente isto poderá ocorrer e é até bom que ocorra, pois o significado disto é que outros produtos, além dos combustíveis vegetais, serão valorizados, criando ainda mais oportunidades no trabalho da terra.    A valorização do produto agropecuário traz incentivo enorme para o desenvolvimento econômico com base na terra, criando empregos mais bem remunerados e, portanto, mercado para alimentos mais sofisticados.   O nordeste brasileiro já está se desenvolvendo em ritmo chinês, mas também é chegada a hora da África, continente de atraso e miséria.   

As mudanças que ocorrem em todo o mundo são de natureza muito diferente das mudanças do passado e não dá mais para extrapolar os acontecimentos passados.    Estou muito otimista com o futuro e com o ser humano:   um mundo maravilhoso se aproxima.   Pena que não tenha 18 anos para desfrutar esta nova jornada!

 
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Vicente Falconi Campos é consultor de grandes grupos empresariais brasileiros e orientador técnico do INDG - Instituto de Desenvolvimento Gerencial; Ph.D pela Colorado School of Mines (USA); Engº e Professor Emérito pela UFMG; Membro do Conselho de Administração da AMBEV; Membro do Conselho de Administração da SADIA; Designado Membro da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica pelo Presidente da República em 2001. Publicou seis livros na área de Gestão Empresarial que venderam mais de um milhão de exemplares. Único Latino-americano eleito como "Uma das 21 vozes do Século 21" pela ASQ - American Society for Quality.

 
 

Palestra: “Sistema de Gestão
com Foco Financeiro“

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