A Crise de Energia 1 - A Gestão
7/11/2007


Numa sexta-feira do ano de 2001 recebi um telefonema do Ministro Chefe da Casa Civil comunicando uma crise de energia no Brasil e convidando-me a participar da Câmara de Gestão e do Comitê Gestor da Crise.    Evidentemente aceitei o convite (é uma honra ter a oportunidade de poder ser útil ao País num momento muito difícil) e o Ministro me avisou que, logo após a reunião da Câmara, na segunda-feira, onde todos tomariam posse (eu era o único de fora do Governo), teríamos uma reunião do Comitê Gestor e eu faria a primeira apresentação, propondo um método para atacarmos a crise.

Durante aquele final de semana refleti muito, pois não poderíamos errar.   Pensei muito em nosso "triângulo formador de resultados:   Liderança, Conhecimento Técnico e Método".   Nós, do INDG, entraríamos com o método e o Governo com o resto.   Preparei uma apresentação e, realmente, na segunda-feira fiz a primeira apresentação.   Propus a utilização do método de Gerenciamento pelas Diretrizes, em que o objetivo seria dar uma meta de economia de energia a cada brasileiro.   Como primeiro passo deveríamos determinar a porcentagem de economia necessária, o que foi feito pelo pessoal da ONS-Operadora Nacional do Sistema.   Teríamos que economizar 24% sobre os valores do ano anterior durante os meses de abril a outubro.   Depois desdobramos esta meta entre os setores residencial, industrial, público e comercial.   Depois, dentro de cada setor, em sub-setores e assim por diante até chegar aos indivíduos.   Conseguimos fazer um bom desdobramento de metas e a economia de energia no País foi um sucesso.   

Recebemos na época várias críticas na imprensa, antes mesmo de utilizar o método proposto.   Pessoas que nada entendem de método, mas que se aproveitam de situações de crise para aparecer, tudo fizeram para desqualificar a sua utilização.   Bem, o fato é que tivemos um líder na pessoa do Ministro Pedro Parente, que ficou firme no método e comandou, ele mesmo, o desdobramento das metas (havia muito interesse econômico envolvido), procurando fazer um desdobramento que afetasse ao mínimo a economia do País (apesar de tudo, o País ainda cresceu 1,5% naquele ano!).

Enquanto desdobrávamos as metas, técnicos do INDG desenvolviam um software de controle, que partia das informações fornecidas pelas concessionárias, e o pessoal da ONS fez outro, que partia da energia distribuída.    Foi ótimo, pois os dois modelos coincidiram e foram úteis para checar as informações.    Tínhamos assim, em tempo real, as informações de consumo e podíamos verificar se as metas estavam sendo atingidas ou não.    Quando a meta era superada havia prêmios previstos e quando não era atingida havia penalidades.   Com estas medidas fechamos o método gerencial, que consistia no Planejamento, Execução, Controle ou Verificação e Atuação Corretiva com conseqüências (PDCA).   Esta é a essência do método gerencial:   gerenciamento tem que ter indicadores, metas, medidas e conseqüências.   Com a utilização do método, usando a competência em conhecimentos de energia do pessoal da Aneel e da ONS e a liderança firme e serena do Ministro Chefe da Casa Civil e do Presidente da Republica, o País escapou da crise.

 
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Vicente Falconi Campos é consultor de grandes grupos empresariais brasileiros e orientador técnico do INDG - Instituto de Desenvolvimento Gerencial; Ph.D pela Colorado School of Mines (USA); Engº e Professor Emérito pela UFMG; Membro do Conselho de Administração da AMBEV; Membro do Conselho de Administração da SADIA; Designado Membro da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica pelo Presidente da República em 2001. Publicou seis livros na área de Gestão Empresarial que venderam mais de um milhão de exemplares. Único Latino-americano eleito como "Uma das 21 vozes do Século 21" pela ASQ - American Society for Quality.

 
 

Palestra: “A Invasão dos Bárbaros e as Decisões Empresariais de Hoje”

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