A luta pela produtividade

Ao frequentar várias empresas brasileiras, assistindo aos seus esforços para melhorar os resultados, entendi o difícil processo de ganhar produtividade e, portanto, competitividade.

Um país fica rico pelo ganho de produtividade. Ganha-se produtividade através da inovação. Inovar significa "fazer algo de modo diferente" para conseguir melhores resultados e implica questionar a maneira atual de trabalhar. A inovação decorre de uma necessidade ("crise") e demanda gerenciamento, criatividade, conhecimento, tempo e, antes de tudo, liderança.

São raras as pessoas e, portanto, raras as empresas que inovam sem precisar. Somos movidos por necessidades ("crises"). Olhando-se a partir das empresas, o grande fator formador das indispensáveis "crises", no Brasil, foi a abertura da economia em 1990 e o aumento das importações. A presença de produtos de melhor qualidade e mais baratos no mercado brasileiro, antes considerado cativo, estabeleceu a "crise" que fez com que as pessoas e as empresas se movessem. Outras iniciativas como o Código do Consumidor e o PROCON também estão sendo muito importantes por exigirem novos patamares de desempenho.

A partir do momento em que a "crise" se estabelece até a tomada de ações definitivas decorre um longo tempo. São vários os caminhos e várias as dificuldades para o processo de inovação.

O primeiro e mais primitivo passo, quando se pensa em ganhos de produtividade, é a redução do quadro de pessoal. Este é rápido e razoavelmente fácil de ser feito quando os excessos são visíveis. Tão logo isto é feito as empresas percebem que não é suficiente.

Os outros passos já demandam mais tempo. Modernizar uma linha de produção demanda um processo de tomada de decisões, projeto, aquisição, contratação, instalação, teste, etc. Este processo pode levar de dois a três anos. Fazer melhorias contínuas nos processos empresariais (compras, fabricação, vendas, distribuição, assistência técnica, administrativo, financeiro, etc) demanda muita educação e treinamento que, mais uma vez, demandam tempo.

Existe outra limitação grave dentro das organizações: a cultura empresarial. Do momento em que a empresa se vê diante de uma crise até o momento em que inicia o processo de inovação pode-se também levar um tempo, que varia em função da cultura empresarial. Algumas empresas, pela qualidade de sua liderança, reagem de forma rápida e conseguem enfrentar a nova situação. Felizmente este tem sido o caso da maioria dos empresários brasileiros. No entanto, existem empresários que reagem como vinham fazendo nos últimos 20 ou 30 anos: procuram o Governo pedindo proteção e previlégios. Reclamam da vida. Querem aumentar a restrição às importações, querem desvalorizar o câmbio, querem subsídios, etc, como se ninguém tivesse que pagar a conta. Ora, não é desta maneira que nosso País se libertará da pobreza e da miséria.

Existe dentro de cada empresa uma mina de ouro, pronta para ser explorada, representada por perdas de toda natureza e que, em alguns casos, atinge o patamar de 40% do faturamento líquido. Estas perdas são representadas por compras mal feitas, excesso de estoques, excesso de pessoal, quebras de equipamentos, elevado consumo de materiais, elevado consumo de energia, refugos, erros de projeto, ineficiências em vendas e distribuição, etc. O papel do empresário verdadeiramente líder é buscar os recursos gerenciais e técnicos para conseguir os resultados que precisa, reduzindo suas perdas e melhorando o projeto de seu produto e seu esforço de venda.

O papel do Governo é manter as condições econômicas estáveis, uma boa inserção brasileira no comércio internacional (trocas totais, importações mais exportações, de uns 20% do PIB), um esforço continuado para aumentar a eficiência do Estado (que deve ser visto como uma empresa de serviços) e a redução gradual do "Custo Brasil". Uma inserção razoável da economia brasileira no comércio internacional deverá manter, para sempre, a "crise" necessária ao processo inovador competitivo. Nem sempre este papel pode ser desempenhado com a eficiência desejada porque existem resistências de toda natureza, de caráter pessoal, regional, corporativista, ideológica, etc, que atrasam o processo de aumentar a produtividade geral e a competitividade do País. São muitas as barreiras a serem vencidas, tanto do lado empresarial quanto do lado do governo.

O processo de inovação tem seus fatores limitantes: liderança, habilidades gerenciais, habilidades técnicas e tempo.

Sinto que estamos num bom caminho, mas para que alcancemos, o mais rapidamente possível, o desejo nacional de "ir para o primeiro mundo", é necessário que todos nós estejamos conscientes do processo inovador e de como suplantar os seus fatores limitantes.

Vicente Falconi Campos, PhD, é consultor e conselheiro do INDG - Instituto de Desenvolvimento Gerencial. É também membro do Conselho de Administração da AmBev e Membro do Conselho de Administração da Sadia. Publicou seis livros na área de Gestão Empresarial que venderam mais de um milhão de exemplares.

 
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Vicente Falconi Campos é consultor de grandes grupos empresariais brasileiros e orientador técnico do INDG - Instituto de Desenvolvimento Gerencial; Ph.D pela Colorado School of Mines (USA); Engº e Professor Emérito pela UFMG; Membro do Conselho de Administração da AMBEV; Membro do Conselho de Administração da SADIA; Designado Membro da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica pelo Presidente da República em 2001. Publicou seis livros na área de Gestão Empresarial que venderam mais de um milhão de exemplares. Único Latino-americano eleito como "Uma das 21 vozes do Século 21" pela ASQ - American Society for Quality.

 
 

Palestra: “A Invasão dos Bárbaros e as Decisões Empresariais de Hoje”

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