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A
reforma tributária
Uma coisa me parece lógica: se queremos melhorar as condições de
vida de nosso povo, então precisamos promover mudanças substanciais em nossa maneira de
viver. Estas mudanças têm sido chamadas de "Reformas". Todas as reformas são
importantes, algumas vêm sendo bem conduzidas e outras vêm sofrendo resistências de
toda natureza. Estas resistências se originam de agentes que defendem interesses
pessoais, corporativos ou regionais em detrimento do interesse da Nação. No momento,
nenhuma reforma poderia ser mais importante que a "Reforma Tributária".
O Sistema Tributário brasileiro é simplesmente
anacrônico, ilógico e altamente prejudicial ao trabalhador. A questão é muito simples:
taxamos o trabalho e a produção e deixamos livre o consumo.Isto é exatamente o
contrário do que fazem todos os países do mundo. O que tem que ser feito é simples:
taxar o consumo e liberar o trabalho e a produção. Teríamos poucos impostos: imposto
sobre a renda, imposto sobre a importação, imposto sobre o valor agregado, impostos de
exceção (cigarros, bebidas, combustíveis, etc) e mais um ou dois tipos (talvez fique a
CPMF com retorno). Esta reforma traria um subproduto que é fundamental nos dias de hoje:
a Reforma Tributária equivaleria a um ganho cambial de aproximadamente 12%. Isto
praticamente resolveria o nosso problema cambial e traria como conseqüência
uma queda
muito rápida dos juros.
A aceleração das exportações e o aumento do
consumo provocado pela queda nos juros colocaria nossa economia num ritmo de crescimento
sustentado invejável (acredito em crescimento do PIB de aproximadamente 7% ao ano, além
dos ganhos de produtividade, que continuarão na faixa de uns 5 a 6% ao ano). Neste ritmo
o desemprego teria uma queda muito rápida, a arrecadação governamental aumentaria e o
déficit atual desapareceria (como aconteceu recentemente com os EUA, que sairam de um
deficit de 8% a um equilíbrio das contas públicas pelo simples crescimento da economia).
Seria o melhor dos mundos. Precisamos muito desta reforma! Um dos grandes focos de
resistência é o fato de que existem "estados exportadores", que produzem mais
do que consomem, e "estados importadores".
Os estados exportadores não querem que a taxação
incida sobre o consumo, pois eles "perderiam renda". É o mesmo tipo de reação
ilógica que houve contra a Lei Kandir (que regulamenta o óbvio: produto exportado não
paga ICMS!!!). No caso de empresas, quando o preço de um produto cai no mercado ela perde
faturamento e sua saída é vender mais ou então baixar custos. Este raciocínio ainda
não se instalou em muitos de nossos governantes. Ora, se o "estado exportador"
se acostumou a gastar muito deve agora pensar num reajuste de suas despesas e na expansão
de sua produção! Um dia destes eu estava num Seminário e um Secretário da Fazenda de
um importante "estado exportador" fez sua palestra, tentando arregimentar outros
"estados exportadores" a formar uma frente de reação à Reforma Tributária
como proposta pelo governo.
Como cidadão brasileiro, preferia vê-lo procurando
cortar gastos e enfrentando a carga tributária reduzida. Certamente o povo de seu estado
iria agradecer-lhe muito por isto pois o consumo subiria, a produção seria aumentada,
mais empregos seriam gerados e, por conseqüência, a massa salarial de seu estado subiria
aumentando o consumo e, portanto, a arrecadação. Se nós queremos melhorar nosso País,
temos que pensar com cabeça de brasileiro e não como paulistas, mineiros ou cariocas. Um
homem público que não pense como brasileiro numa hora destas não pode estar sendo
ético.
Vicente Falconi Campos, PhD, é consultor e conselheiro do INDG - Instituto de Desenvolvimento Gerencial. É também membro do Conselho de Administração da AmBev e Membro do Conselho de Administração da Sadia. Publicou seis livros na área de Gestão Empresarial que venderam mais de um milhão de exemplares.
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