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Nossas
riquezas Há poucos dias atrás eu
estava na sala de espera de um aeroporto e comecei a bater papo com um senhor estrangeiro.
Numa certa altura do papo, ele, olhando para um embarque que estava sendo efetuado,
comentou: "o brasileiro não perde a mania de levar vantagem e, quando passa na
frente dos outros, chega a sorrir de satisfação".
Realmente. Temos muitos defeitos. Todos os seres humanos têm.
Existe muita coisa a ser consertada num processo educacional que vai levar muitos anos e
cujo resultado final talvez nossa geração não presencie. Mesmo assim fiz um pequeno
comentário com ele que deve tê-lo feito pensar pois daquele minuto em diante conversamos
muito pouco ou quase nada.
Disse o seguinte: "o Brasil precisa mesmo consertar muita
coisa. Mas aqueles que já viveram no exterior, que já viajaram muito, que assistem
televisão e lêem jornais, devem se sentir confortados pois, aparentemente, o Brasil, de
alguma maneira, conseguiu resolver alguns problemas realmente graves e que a grande
maioria dos países avançados ainda estão muito longe até mesmo de abordar. O Brasil
não tem guetos, não tem ódios raciais, não tem ódios religiosos, não tem impasses
políticos, não tem problemas fronteiriços e não tem medo de mudanças. Somos um povo
tolerante e este talvez seja um ativo nada desprezível num mundo cada vez menor." A
partir deste ponto ele ficou quieto e reflexivo.
Este é um fato muito positivo para o nosso futuro, mas existem
outros. Um deles, do qual participo intensamente, é a força com que os brasileiros
estão se dedicando ao desenvolvimento de suas habilidades gerenciais através de
programas de qualidade. O Movimento Brasileiro de Gestão pela Qualidade Total é, sem
nenhuma dúvida, um dos mais fortes do mundo hoje. Esta força é medida não somente pelo
número de empresas dedicadas ao tema, não só pela extensão de nosso programa que
abrange todos os setores da economia (inclusive o setor público), não só pelo número
de empresas certificadas nas normas ISO. Nosso Movimento deve ser medido, antes de mais
nada, pela sua competência.
Não estamos perdidos num cipoal de nomes, siglas, técnicas,
ferramentas, etc. Pelo contrário, estamos bem focalizados, falando todos a mesma
linguagem de um único Sistema de Gestão. Outro fator muito importante é que as empresas
estão se ajudando mutuamente nesta área, num verdadeiro Movimento Nacional. Isto não é
comum em outros países.
A ênfase que damos ao tema gerenciamento se deve ao fato de que,
hoje, existe uma conscientização muito grande quanto à importância vital das
habilidades gerenciais. Na verdade, estas habilidades estão no âmago da própria
sobrevivência humana. Ser competente em gerenciamento é meio caminho para o sucesso.
Mas nem tudo são flores. Temos problemas graves e que precisam
ser atacados o quanto antes. Um deles é a educação: certamente, hoje, o mais
importante. Para que tenhamos toda a população competente em sua luta pela
sobrevivência (gerenciamento), nossa grande preocupação hoje tem que ser a educação.
Sem dúvida, tem-se trabalhado muito nesta área em nosso país e o nível de exigência
popular está aumentando muito. No entanto, sinto que ainda é pouco diante da velocidade
com que ocorrem as mudanças. É ainda necessária uma verdadeira revolução no ensino,
que deve ser, de fato, a grande prioridade nacional. Se queremos deixar para nossos filhos
um grande país, um belo lugar para viver, é imperioso cuidar de nossa educação. Daí
decorrerá todo o resto.
Vicente Falconi Campos, PhD, é consultor e conselheiro do INDG - Instituto de Desenvolvimento Gerencial. É também membro do Conselho de Administração da AmBev e Membro do Conselho de Administração da Sadia. Publicou seis livros na área de Gestão Empresarial que venderam mais de um milhão de exemplares.
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