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O resultado é que foi uma crise muito bem gerenciada, modéstia à parte. Teria sido desastroso um apagão no Brasil. Seria um desastre mundial, na verdade, porque poderia morrer muita gente.

Antes de tudo isso, tínhamos feito trabalhos com algumas prefeituras pequenas em Minas Gerais.

Como os empresários começaram a financiar isso?
Primeiro Jorge Gerdau aconselhou o então candidato Aécio Neves a investir em gestão. Eleito, o governador nos procurou e participamos da transição para levantar dados e entregar nossa proposta de trabalho. O governador gostou muito da proposta, mas disse que não teria caixa para nos contratar.

Pedimos autorização para "circular o chapéu", fomos à luta e os empresários se mostraram simpáticos à causa. Só condicionaram o apoio a poder acompanhar o andamento dos trabalhos, até in loco, de três em três meses. O governador topou.

 

Seu trabalho para o governo de Minas Gerais foi a vitrine?
Sim. Foi o primeiro que quis fazer um trabalho amplo de revisão fiscal. Em um ano e meio, Minas Gerais atingiu sua saúde fiscal, saindo de uma situação de moratória, o que teve um efeito demonstrativo muito grande. Hoje já há governadores fazendo um trabalho até mais profundo do que o de Minas naquele momento. São nossos clientes os governos estaduais do Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Alagoas, Sergipe e Pernambuco, e continuamos a trabalhar em Minas Gerais. Agora estamos entrando na Bahia e no Distrito Federal.

Qual é o caso mais desafiador?
Estou particularmente entusiasmado com Sérgio Cabral, porque o desafio no Rio de Janeiro é muito grande, a situação é de crise mesmo. Crise é ruim, mas, de um ponto de vista, é bom, na medida em que as pessoas ficam mais propensas a se aplicar mais e fazer as coisas mais bem-feitas. É o que está acontecendo no Rio.

Lá estamos indo além de reduzir a sonegação e

 

despesas. Estamos reestruturando várias secretarias, em todos os seus processos. Está sendo feita uma arrumação da casa.

Até na área de segurança - estamos trabalhando na área de estratégia, não no operacional evidentemente. Fizemos uma análise de toda a cadeia de geração de valor da segurança.

Que tipo de coisa vocês descobriram nessa análise da cadeia de valor da segurança?
Por exemplo, sabe aquele costume de falar "a culpa é da Justiça, que não funciona"? No Rio de Janeiro, isso não é verdade - pode até vir a ser, mas, por enquanto, não é. Existe muito trabalho de casa para ser feito. Bandidos perigosos estão com mandado de prisão emitido e continuam soltos, por exemplo.

O governo fluminense precisa construir cadeias com urgência, prendê-los e mantê-los presos. Num primeiro momento, não se vai fugir disso.

E a gestão em educação, que é um dos principais problemas do Brasil? O INDG vem trabalhando com isso?
Muita coisa já foi feita no Ceará e em Sergipe. Agora estamos num trabalho intenso em Pernambuco e o Rio também está querendo entrar em educação. Em São Paulo, a Secretaria de Educação nos solicitou ajudá-la no gerenciamento da reforma de infra-estrutura, que visa melhorar 5,5 mil estabelecimentos.

Em que medida a estabilidade do funcionalismo é um entrave à boa gestão pública?
De fato, não há como utilizar método gerencial nos governos sem envolver o funcionário público - ele precisa aprendê-lo -, mas sabe de uma coisa que nós descobrimos? O funcionário público é um ser humano como outro qualquer. Ele se motiva, entusiasma-se, acerta e erra, como todo mundo. E ele quer acertar. Então, quando ele descobre que aquilo é bom e é motivado, ele faz o que precisa ser feito, até se esquecendo do salário ruim, como é o caso do professor...

SAIBA MAIS SOBRE VICENTE FALCONI

Jorge Gerdau, presidente do conselho de administração da Gerdau; Carlos Alberto Sicupira, Marcel Telles e Jorge Paulo Lemann, sócios da InBev, entre outras empresas; Gilberto Tomazoni, presidente da Sadia; David Feffer, presidente da Suzana Holding; Ernesto Heinzelmann, presidente da Embraco; Paulo Cunha, presidente do grupo Ultra; Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos, sócios da Natura; Gilberto Sayão, sócio do banco Pactual -esses são alguns dos empresários brasileiros que contratam os serviços do consultor mineiro Vicente Falconi Campos para suas empresas. Parte deles financia, inclusive, seus serviços de consultoria ao governo brasileiro em várias instâncias e localidades.

Único latino-americano eleito como "Uma das 21 vozes do século 21" pela American Society for Quality (ASQ). Falconi é engenheiro formado pela Universidade Federal de Minas Gerais, Ph.D. pela Colorado School of Mines, dos EUA, e professor emérito da UFMG. Sócio-fundador e orientador técnico do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG), escreveu seis livros de gestão empresarial que venderam mais de 1 milhão de exemplares, entre eles Gerenciamento pelas Diretrizes. Gerenciamento da Rotina de Trabalho do Dia-a-Dia, O Valor dos Recursos Humanos na Era do Conhecimento e TQC: Controle da Qualidade Total. É também membro dos conselhos de administração da AmBev, Sadia e Unibanco.

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