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Como motivar esses funcionários?
É só fazer o seguinte: colocar metas, ajudá-los a montar seus planos de ação e, sempre que possível, dar uma remuneração variável para incentivá-los a atingir essas metas - o que a lei permite fazer no setor público. Depois que você começar a avaliar os desempenhos e passar a dar promoção àqueles que realmente atingem ou superam metas, a coisa anda muito bem. Quando as pessoas sentem que estão em uma máquina boa, ajudam a empurrá-la.

Vou lhes dizer: não há um projeto nosso que não bata a meta e os responsáveis por isso são sempre as pessoas - no caso dos governos, os funcionários públicos.

Mas qual é o papel da liderança?
Fundamental. A organização não-governamental Movimento Brasil Competitivo nem financia líderes de governo se não perceber neles uma disposição verdadeira em liderar o processo. Quando vou a reuniões com esses líderes e o empresário Jorge Gerdau [um dos financiadores], por exemplo, saímos da reunião e ele sempre me pergunta: "Que nota tu darias para este, Falconi?". Aí eu e ele damos notas. Acabamos adquirindo uma sensibilidade sobre se a pessoa está de fato comprometida com aquilo.

Quem não tiver uma nota boa em comprometimento não recebe os recursos?
Eles só investem quando sentem firmeza nas intenções.

Isso é muito interessante. Qual é a escala da avaliação?
De zero a cem. Tanto eu como o Jorge Gerdau demos 100 para o governador Sérgio Cabral,          

por exemplo. É preciso haver o compromisso, porque os líderes têm de motivar a equipe e enfrentar as resistências. O governador Aécio Neves enfrentou grande resistência dos fiscais em Minas, por exemplo.

E o governo federal atual? É seu cliente? Ouve-se dizer que o presidente lula é seu fã, mas existe uma ligação sua com o PSDB, não?
Não, pelo contrário, fazemos questão de ser apartidários. Estamos trabalhando em dois ministérios atualmente: um é o do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; o outro é o do Planejamento, Orçamento e Gestão. O ministro Patrus Ananias [Desenvolvimento Social] é uma pessoa fantástica. No primeiro dia que eu fui lá, ele disse assim: "Professor, me explica aí o que é esse negócio de gerenciamento, porque acho que eu já gerencio". Foi bacana a atitude. Aí ele entendeu exatamente do que se trata e a coisa foi tão bem que acabou o primeiro contrato e ele quis renovar.

Também percebo que o trabalho com o ministro Paulo Bernardo [Planejamento] vai bem. Acho que dará resultados surpreendentes, que poderão afetar a economia nacional.

O Ministério Especial de Assuntos Estratégicos, do Roberto Mangabeira Unger, é cliente seu?
Não é nosso cliente. Mas acho bom sinal que tenha pelo menos uma pessoa, e capacitada, trabalhando nisso agora.

Mas é possível fazer um trabalho com o governo federal todo?
A experiência que temos com o governo federal é que lá o desafio de gestão é realmente muito

grande. Minha percepção pessoal é de que o presidente Lula já entendeu essa dimensão e o que é necessário fazer. Ele é uma pessoa que pega as coisas no ar, de uma inteligência incrível. Mas aí há os vários ministros e, se uns são líderes mais comprometidos, outros são menos. Então, vamos supor, o presidente abraça a idéia 100%, mas determinado ministro a abraça só 60% e o secretário-geral do ministério se compromete 10% e o percentual vai descendo até que a conta se torna negativa ...

Então, ir aos poucos parece ser o processo mais eficaz...
Nós, no INDG, temos uma regra fundamental: "Comece a trabalhar com quem quer [trabalhar]!". É o que estamos fazendo. Outra regra é "ataque primeiro as frutas mais baixas e maduras". São regras simples, mas dão resultados.

Esse trabalho que o sr. vem fazendo com os governos o motiva especialmente?
Ah, totalmente, porque na minha idade - estou indo para os 68 anos - a maior satisfação que posso ter é a consciência de estar deixando aqui algo para quem vem depois. Assim, vamos em paz para frente. Esse sentimento não é só meu e de meu sócio Godoy; eu o vejo no Beta Sicupira, no Jorge Paulo [Lemann], no Marcel [Telles], no Jorge Gerdau e em muitos outros que estão entrando no barco para valer.

Vamos aprofundar a metodologia de gestão, então. O que o sr. chama de metodologia é parecido com administração por objetivos? Com reengenharia?
Todos esses nomes que aparecem são no fundo uma coisa só: método. Em grego, é a soma das palavras meta e hodós, Meta é o resultado a ser atingido e hodós, o caminho para atingi-lo. Você gerencia para conseguir resultados e, sabendo o caminho, será uma gestão muito melhor.

"O professor Falconi é um dos pilares fortes da nossa cultura e tem ajudado muito no desenvolvimento das empresas em que temos participação"
Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles, Carlos Alberto Sicupira.

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