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Mas essa não é a definição de estratégia também?
A estratégia se apóia em método também, porque tudo que se faz, na verdade, precisa de método. O problema é que as pessoas usam as ferramentas de gestão sem usar um método e aí a coisa se atrapalha. Esse é o segredo da história.

Lá pelos idos de 1600, o francês René Descartes escreveu o livro O Discurso do Método. Ele falava que a filosofia produzida na época era uma coleção de opiniões e, para não basear decisões em opiniões, resolveu sair do conforto do seu quarto aquecido e caminhar pela fria Europa - como ele dizia - para conhecer a verdade.

Diferentes empresas adotam diferentes métodos?
Não, o método é único: constitui a busca e o conhecimento da verdade. É você tomar decisões baseadas na verdade, entender e continuar.

Há uma verdade nos negócios? Não é tudo relativo, variável conforme o ponto de vista?
Há as verdades mostradas na análise dos dados e fatos, sim. E as empresas, na grande maioria, não trabalham com elas. As pessoas vivem tomando decisões, que custam milhões,

baseadas em opiniões. Todo gestor deveria ler Descartes.

Qual é a seqüência do método?
O estabelecimento da meta costuma ser definido como o ponto inicial. Mas aí já existem dois problemas. Primeiro, nas empresas, é muito comum que o pessoal coloque uma meta e tenha a sensação, no ato de coloca-lá, de que ela já foi atingida - só que chega o fim do ano e eles têm a "surpresa" de que não foi. Segundo, precisa ter um método para definir a meta - levantamento de fatos e dados, cruzamento e análise disso tudo, discussão com várias pessoas, o que é uma etapa importantíssima. A maioria das pessoas não passa por esse processo, porque dá trabalho; elas sentem preguiça ou são arrogantes - preferem ir das opiniões para as soluções.

Aí vem o segundo passo, o plano de ação, e aparece o segundo problema também: o executivo propõe um plano de ação e acha que o simples fato de ele existir já garante tudo; ele vai descansar, achando que os outros vão executar o plano. Esse gestor se esquece de que tem de ficar em cima das pessoas, acompanhando ação por ação - se foi implantada e como - para que possa haver segurança. Uma vez que o plano de ação tenha sido implantado, é preciso ir conferindo se todas

as ações foram implementadas mesmo e, no final, se o resultado projetado foi alcançado.

Se a meta foi atingida, ainda não é hora de descansar, como muita gente pensa. Vem a quarta fase, que é a de padronizar. Significa treinar à exaustão as pessoas relacionadas com aquilo que está sendo feito - o novo conhecimento adquirido- e deixar o registro. Isso quer dizer padronização. Posso afirmar que quase ninguém faz isso para valer, no Brasil e no exterior.

E, se a meta não tiver sido atingida, também há uma quarta fase: é preciso rever toda a seqüência do método - essa que eu acabei de expor - para descobrir o que deu errado. É hora de perguntar: "Por que a meta não foi atingida?" e analisar tudo de novo. Ninguém faz isso, entendeu?

Qualquer resultado pode ser alcançado, qualquer um. Só que cada resultado tem um preço.

A chave do método não seria a execução, então?
Nós, seres humanos, somos procrastinadores por natureza. Se pudermos deixar para amanhã, nós deixamos. Por isso, nunca podemos partir do pressuposto de que as coisas são feitas; precisamos verificá-las o tempo todo. Nesse sentido, método também pode ser entendido como "garra", a garra de rodar e rodar até atingir o resultado.

Agora, quanto à execução, eu não a destacaria assim; é obrigatória toda a seqüência do método, não apenas uma parte. Você tem de, primeiro, tomar a decisão baseada na verdade e a verdade só é conseguida com a análise de fatos e dados. Aí você se certifica de que as ações foram implementadas, faz o acompanhamento dos itens de, verificação para saber se o resultado foi alcançado ou não e, finalmente, toma as ações necessárias, sejam positiva e corretiva.

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