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que era um homem extraordinário, grande líder para sua equipe e um campeão de vendas. Aí a concorrência lhe fez uma proposta, ele aceitou e fracassou no novo posto. Por quê? Não foi porque ele tenha piorado, mas porque ele não encontrou na outra empresa as condições de liderança que tinha na anterior - os sistemas todos montados, as pessoas todas preparadas.

O segundo grande fator é o conhecimento técnico do negócio. Lembro-me de que, na Brahma ainda, nós tivemos um programa chamado "Boinas Verdes": decidimos ter o melhor conhecimento do mundo da fabricação de cerveja, então trouxemos os 18 melhores cervejeiros aposentados do mundo, de diversos países. Nós os colocamos num hotel cinco estrelas no Rio de janeiro, com carro e motorista para cada um fazer turismo com a esposa, e os pusemos para ensinarem nossos engenheiros. Eram cinco engenheiros brasileiros com cada cervejeiro topo Foi um programa de grande sucesso na empresa, porque certos conhecimentos só se adquirem por meio das pessoas - não adianta procurar em sala de aula.

E o terceiro fator é o método, de que já falamos. Nenhuma empresa pode viver sem método. As empresas que já descobriram que tomar decisões sem método não funciona estão se dando bem.

Falando em valorizar o lado humano, quero fazer duas perguntas a esse respeito. Uma: como contornar o fato de que o sistema educacional do País atrapalha tanto a produtividade dos trabalhadores? E a segunda: uma vez que os gestores andam numa fase de insatisfação geral com qualidade de vida, como exigir deles, humanamente, a dedicação necessária; ao método?

Nossa educação é muito ruim, sem dúvida, e levará décadas para resolver esse problema. Mas eu acredito que, havendo a padronização do método, o bom treinamento resolve o gap de produtividade. Já vi isso acontecer muitas vezes.

Que dificuldades são essas?
As reações à franqueza. Se eu vou a sua área e vejo uma coisa errada, eu falo que está errado, entendeu? Mesmo estando todo mundo presente ali. Você pode ficar com raiva de mim.

É importantíssimo a franqueza imperar dentro de uma organização. Mas franqueza é ir na bola, não na canela da pessoa. Você tem de distinguir bem o que é bola e o que é canela.

A AmBev é uma empresa onde você pode falar o que quiser se tiver uma vontade pura de melhorar a organização.

Mas a AmBev não é uma empresa brasileira típica ...
Não, mas acho que nós estamos avançando. A AmBev criou uma aura de eficiência e agilidade, mostrando que, em 15 anos, dá para sair de uma cervejaria quebrada para se transformar em um grupo internacional, entre os maiores do mundo. É uma história impressionante e serve de modelo a ser copiado por outras empresas brasileiras.

Nossos gestores estão, em sua opinião, no patamar de gestores internacionais como Steve Jobs ou Andy Grove?
Eu diria que, se o Steve Jobs fosse mexer com cervejaria e enfrentasse o que o Marcel enfrentou, talvez não fosse tão bem-sucedido,

Jobs é um homem para alto ritmo de inovação e sofisticação, mas talvez não saiba lidar com uma indústria como a da cerveja, ou como a de frango, da Sadia, por exemplo.

O que quero dizer é que temos grandes executivos, capazes de lidar com desafios impressionantes. Só não acredito que o brasileiro seja melhor gestor que os outros. Existem grandes gestores em todos os lugares. O que eu acredito é em fábricas de líderes, como é a AmBev, desde o tempo da Brahma. Lá há tantos profissionais qualificados que eles se dão ao luxo de mandar cem executivos para o exterior sem que isso afete os negócios aqui. Isso acabaria com qualquer empresa em um ano, mas não com a AmBev.

E o sr. já enfatizou quão importante a liderança é para o método ...
Deixe-me falar das três coisas fundamentais dentro de qualquer organização que busca o sucesso. A primeira é liderança. Geralmente, as pessoas têm um conceito errado de liderança, achando que depende da pessoa. Não, você precisa criar condições de liderança: ao recrutar e selecionar a equipe de modo a ter os melhores do momento, ao educar e treinar à exaustão, ao criar um bom clima na empresa, ao valorizar muito o lado humano.

Eu conheci o diretor de vendas de uma empresa

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