Sobre qualidade de vida, só posso lhe dar minha opinião - lembrando que opinião não é verdade científica. Eu acho que a melhor qualidade de vida é quando sua vida pessoal e seu trabalho são uma coisa só. Se você começa a distinguir um do outro e medir horas, é porque não está bom. E o problema é mais profundo, não é do trabalho.
Como o sr. acha que o Brasil pode dar o grande salto? Se formos devagar, não vai dar certo ...
Por iniciativa do Beto Sicupira, estou trabalhando com um conjunto de professores do Ibmec São Paulo para estabelecer um currículo diferente de todos os currículos de escolas mundiais, baseado na solução de problemas - que é método. Aliás, método e solução de problemas são a mesma coisa. Essa é uma tentativa de salto pela via acadêmica. A outra é o que estamos fazendo aí, nas empresas e nos governos.
Eu particularmente acho que o Brasil já está

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indo nessa direção do salto. O INDG dá consultoria lá fora também e, por todas as informações que temos, do ponto de vista gerencial, nossas empresas não ficariam mal numa comparação. O brasileiro está ficando muito bom em método, em análise.
É óbvio que muitos países têm uma riqueza acumulada que nós não temos nem teremos tão cedo - não falo em ter dinheiro, mas em ter uma universidade como Harvard, por exemplo, ou 80 das 100 melhores universidades do mundo. Porém estamos avançando.
E há uma notícia ótima: é cada vez mais comum ver, nos levantamentos de recursos humanos das empresas, os funcionários pedindo que os líderes corram atrás das melhorias, o que significa que essa consciência está entrando na cultura do País.
O sr. acha que as empresas brasileiras vão se internacionalizar para valer agora?
Não sei se é coincidência, mas todas essas empresas que estão se internacionalizando receberam uma dosagem muito grande de método. Aí elas chegam fortes ao exterior, porque, além da força de geração de caixa, têm sustentação gerencial.
Acho que, se esse movimento montado por governadores e pelo governo federal se alastrar do jeito que aparentemente vai, e mudar a cultura política do País, o Brasil poderá dar o salto, sim.
Qual é a maior ameaça ao nosso salto de desenvolvimento? As altas taxas de juros, por exemplo? As empresas não devem ficar dependendo do que não podem controlar. Em geral, elas têm |
três caminhos para melhorar seus resultados: aumento nas vendas e margens, redução de custos e redução do capital empregado. Ações gerenciais nas três frentes são imperativas, mas, como as únicas frentes sobre as quais temos total controle são os custos e o capital empregado, eu recomendo ênfase nesses pontos, com o método.
E o real sobrevalorizado?
O câmbio é resultado de um equilíbrio geral. Se o real está valorizado, as empresas perdem competitividade, inclusive no mercado interno, porque o produto importado entra. Mas isso é um raciocínio simplório demais, porque, quando a moeda se valoriza, o povo enriquece em comparação a outros povos. Então, não acho que o real valorizado seja maligno em si.
É óbvio que algumas empresas, em alguns setores, perdem competitividade, mas não é uma regra geral. Se você perde o mercado externo, mantém o interno de certa forma - com a alta do preço do petróleo, a própria logística vai proteger o mercado interno. E o exportador pode aumentar o preço em dólar, por que não? Tem um pouco de choradeira em tudo isso.
As empresas terão de se adequar com soluções criativas, como fez o fabricante de calçados brasileiro que, atingido pelos concorrentes chineses aqui, foi para a China, viu que tinha espaço para calçados mais finos no mercado chinês e começou a exportar para lá.
Sem falar que soluções do tipo "vamos comprar dólares e acumular reservas" são apenas de curto prazo. Se o Brasil quer exportar, terá de importar também - na mesma quantidade.
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