Acima da média
Dezembro de 2009
Investimento em gestão educacional é uma das soluções para maior qualidade do ensino no país

Maria Helena Godoy, pedagoga
Melhorar a qualidade da educação no Brasil é possível e às vezes mais fácil do que se imagina. Basta investir em gestão. Quem afirma é a pedagoga Maria Helena Pádua Coelho de Godoy, que acumula 15 anos de experiência na área educacional. “Hoje, não tenho dúvida de que é de gestão que a nossa educação precisa. Os gestores têm que aprender a focar o trabalho em resultados, a agir de forma científica. Existe um método de solução de problemas, o chamado PDCA, que é universal. Para obter bons resultados, basta que o gestor siga sistematicamente esse ciclo e saiba distinguir entre meios e fins, saiba planejar e implementar como planejado”, afirma a especialista, que é também orientadora da Metodologia de Gestão para Resultados na Educação, atuando no Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG) e na Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG).
E a fórmula tem dado resultados. Nesses 15 anos, já passaram pelas mãos da pedagoga e sua equipe nada menos do que 3 mil escolas públicas que conseguiram, com a metodologia, bater metas como aumentar o índice de aprovação de alunos (e, portanto, diminuir o de reprovação) e reduzir o percentual de abandono escolar. No estado de Pernambuco, por exemplo, segundo a Secretaria de Educação, o índice de aprovação aumentou de 80%, em 2007, para 85% em 2008. Na mesma base de comparação, o percentual de reprovação caiu de 14% para 11%, e o de evasão, de 6% para 4%.
Mas como isso é feito? Segundo Maria Helena Godoy, o trabalho começa com a coleta de dados gerais da escola, como número de alunos e de professores, e de resultados, como a nota obtida no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Nesta fase, que dura cerca de três meses, é feito o diagnóstico da instituição, a partir do PDCA, obtendo-se um retrato dos problemas por que ela passa e suas causas. Os gestores são, então, orientados para o estabelecimento de metas anuais de melhoria, a partir de um plano de ação sistematizado. “Vale lembrar que esta meta não pode ser fora da realidade. Dessa forma, dificilmente será atingida”, alerta a pedagoga. De acordo com ela, em geral, as causas do mau desempenho das escolas são as mesmas. “Aulas pouco atrativas, desinteresse do aluno e desorganização do ambiente são exemplos. Depois de trabalhar em cerca de 3 mil escolas públicas, percebemos que 90% das causas se repetem, sistematicamente, em todas elas”, destaca Maria Helena.
A especialista explica que o plano de ação envolve os seguintes itens: o que, como, quando, onde e por que fazer, e quem é o responsável. Tudo é acompanhado sistematicamente para que, ao final do ano, sejam alcançadas as metas estabelecidas. Para isso, o ideal é que o projeto comece no final do ano anterior ou no início do ano letivo. Depois de um ano, já é possível obter resultados positivos. “O projeto contribui para que os diretores trabalhem com foco no resultado. Com a evolução, conseguimos integrar os aspectos pedagógicos, estratégicos e gerenciais”, garante a professora. Segundo ela, essa integração evita a superposição de instrumentos de gestão, a visão fragmentada, o re-trabalho e a falta de foco. Maria Helena destaca, ainda, que a metodologia é integrada e balizada pelo chamado Índice de Formação de Cidadania (IFC) e Responsabilidade Social para Aplicação na Escola (criado em parceria com a consultora Neuza Chaves, em 2007). “Com a aplicação do IFC, verificamos o status atual da escola, seus resultados, o que ela tem produzido e obtido no processo de ensino-aprendizagem. A partir dele, conseguimos ter o diagnóstico com mais rapidez e, consequentemente, mais agilidade no planejamento das ações e na obtenção de resultados”, afirma. Vale destacar que os resultados são mensurados bimestralmente.
E o melhor é que toda a metodologia está bem explicada no livro Gestão Integrada da Escola, lançado em outubro deste ano em co-autoria com a consultora Izabela Lanna Murici. Além deste, Maria Helena Godoy já publicou oito livros técnicos (sendo quatro com co-autores) e sete textos infantis (dois deles na área de gestão).
Fonte: Viver Brasil