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Itambé distribui dividendos e mostra planos para 2010
Janeiro de 2010

Carlos Batista, Marcus, Elias, Jacques Gontijo e Valdinei Oliveira,
diretores da CCPR/Itambé.

Apesar da crise internacional que trouxe sérios reflexos para o setor lácteo nacional, principalmente em relação às exportações, a CCPR/Itambé está comemorando o bom desempenho obtido em 2009, com um crescimento de 15% em sua participação no mercado interno. Um desempenho que possibilitou a distribuição de R$ 11,6 milhões aos cooperados no final do ano, como bonificação de fidelidade do produtor à Itambé.

Os produtores que começaram a fornecer leite à Itambé até no dia 1º de Julho de 2009 receberam a bonificação, que acabou por representar mais R$ 0,02 por litro de leite entregue pelo produtor. Segundo o presidente da CCPR/Itambé, Jacques Gontijo, com essa bonificação a Cooperativa Central está cumprindo o papel de trabalhar bem para remunerar o seu associado.

A Itambé faturou RS 1,9 bilhão em 2009. As exportações, que representaram 20% do faturamento da empresa até 2008, caíram para 5% em 2009. "Mesmo assim, consideramos um bom resultado, tendo em vista o quadro favorável do mercado interno de lácteos. Com isso, obtivemos um resultado operacional da ordem de RS 40 milhões, que se tomou motivo dessa divisão de dividendos ao produtor", diz Jacques Gontijo.

As previsões de Gontijo são bastante otimistas para 2010, ano em que os investimentos da Itambé devem chegar a RS 120 milhões. Além da expectativa de 12% de crescimento das vendas no mercado interno, a CCPR/Itambé espera duplicar o faturamento com o mercado externo este ano, em relação a 2009.

Dos investimentos previstos para este ano, três se destacam: a construção de uma unidade industrial em Brodowski (SP). que irá processar 350 mil litros de leite/dia; a reforma da torre para secagem de leite da fábrica de Sete Lagoas e os projetos para a área de Tecnologia de Informação, beneficiando toda a empresa. Os novos investimentos totalizarão R$ 80 milhões. Outros R$ 40 milhões vão complementar investimentos iniciados em 2009, como a ampliação da unidade fabril e a implantação de um novo CD, em Pará de Minas.

"Fantástica, vejo essa distribuição de dividendos por fidelidade como uma maneira justa e correta de valorização do cooperado", diz Sérgio José Leite, presidente da Cooperativa dos Produtores Rurais de Cristiano Otoni, uma das 31 entidades singulares que compõem o Sistema Itambé. Sérgio fornece 1.500 litros/dia à Cooperativa Centrai e além de RS 0,09 por litro conferidos pela qualidade do leite fornecido, coube a ele o recebimento de R$ 6,5 mil como bonificação pela fidelidade.

Para o produtor e líder cooperativista, essa é uma iniciativa importante e saudável, que valoriza o sistema cooperativista, e ainda tem a vantagem de chegar para os produtores no final do ano, quando as despesas são maiores. Com ela o produtor acaba resolvendo uma série de problemas, diz Sérgio leite, que chama atenção do produtor para o diferencial pago pela Itambé pela melhor qualidade do leite.

"O cooperado deveria preocupar-se mais com a qualidade do que com o preço do leite", defende o produtor, que, por esse motivo, recebeu em média mais R$ 0,09 por litro. Sem nenhum tipo de bonificação, o preço do litro pago ao produtor ficou em torno de R$ 0,67 em 2009, sendo que o cooperado da Itambé teria condições de receber R$ O,17/L a mais, somente pela qualidade e presença de sólidos no leite produzido.

Outro produtor que recebeu de R$ 0,07 a R$ 0,08 a mais por litro durante o ano, por causa da qualidade, foi José Alberto Campos, presidente da Cooperativa dos Produtores Rurais de Pompeu (Coopel). Nesse caso, o preço do litro ficou acima de R$ 0,70. Como um fiel produtor de leite e cooperado, ele recebeu cerca de R$ 12 mil como bonificação total pelo fornecimento de 2.500 litros de leite/dia em 2009, valor aplicado em investimentos de melhoria da sua propriedade, como a reforma do canavial.

Professor é destaque em Reunião da CCPR

No dia em que a CCPR/Itambé comemorava a conquista da certificação internacional ISO 900 I, um dos precursores da qualidade em gestão no País, o professor Vicente Falconi Campos, consultor e professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais, deu uma aula magna para os gerentes, membros do Conselho de Administração e dirigentes das 31 cooperativas vinculadas à CCPR/Itambé. O tema abordado foi "O verdadeiro poder - Práticas de gestão que conduzem a resultados revolucionários", título do seu sétimo e mais recente livro.

Criador do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG), engenheiro metalúrgico pela UFMG e Ph.D pela Colorado School of Mines (USA), Falconi trabalhou durante muitos anos com os japoneses da Union of Japanese Scientists and Engineers. Precursor dos programas de qualidade em gestão e gerenciamento de empresas, ele é o único brasileiro listado entre as "21 vozes do século 21", eleitas pela American Society for Ouality.

Falconi é precursor do chamado choque de gestão, adotado por diferentes governos, dentre eles o de Minas Gerais. Os conceitos de método e liderança apregoados por ele também são adotados pelas principais empresas do País e vêm impulsionando, com sucesso, a internacionalização de muitas delas, como a AmBev, Gerdau, Embraco, Sadia, Vale e CCPR/Itambé.

Segundo o consultor, o conhecimento representa "a bola da vez" e o método gerencial é o instrumento mais moderno do aprendizado. "Estamos sempre aprendendo. Essa é a realidade de uma empresa competitiva e que faz com que certos gerentes e diretores sejam disputados 'à bala' pelo mercado", garante ele.

Com a CCPR/Itambé, Falconi mantém uma relação de dez anos de trabalho, o que contribuiu para que a Cooperativa seja reconhecida pela sua cultura de gestão moderna. Sobre esse assunto, o presidente da Cooperativa Central, Jacques Gontijo, afirma que "na CCPR/Itambé o modelo de gestão está assentado em método, conhecimento do processo e liderança, tendo como sujeito as pessoas e seus sonhos." Segundo ele, isso não aconteceu por acaso; é fruto de aprendizagem contínua. "E aprendemos importantes lições com o professor Falconi nestes últimos anos", diz.

Onde as empresas falham

A palestra de Falconi aconteceu durante reunião dos dirigentes das 31 cooperativas que compõem a CCPR/Itambé. Em encontros trimestrais, a diretoria da Cooperativa Central reúne os presidentes das cooperativas singulares, que têm a oportunidade de participar de palestras com personalidades de destaque. Em 2009, foram realizadas outras três palestras com o consultor José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados; o professor Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas; e o ex-presidente da Embraer; Ozires Silva. A proposta, segundo o presidente Jaques Gontijo, "é convidar expoentes em suas áreas e que, com sua visão e experiência, podem nos estimular a pensar o nosso negócio de modo diferente e inovador."

Para Falconi, as empresas falham por não definirem claramente suas metas ou por não analisarem corretamente seus problemas. "Bons planos de ação não são feitos por desconhecimento de métodos de análise ou pela falta de acesso a informações técnicas necessárias", diz ele, acrescentando que, muitas vezes, o plano estabelecido não é executado completamente ou a tempo, podendo ocorrer circunstâncias fora de controle.

Por recomendação de Falconi, a CCPR/Itambé adota o método gerencial conhecido como PDCA (Plan-Do-Check-Act). A aplicação desse método transforma a organização numa escola e representa uma oportunidade que a CCPR/Itambé oferece a seus técnicos o de aprender-fazendo, trabalhando toda a cadeia de agregação de valor; que começa no cooperado e termina no consumidor. Para ele, a busca por resultados é paralela à busca do conhecimento. "Às vezes, as pessoas sonham pequeno e têm desafios pequenos. O que puxa o aprendizado numa empresa é a meta, a cobrança, o interesse da administração e a premiação dos melhores", defende Vicente Falconi.

Fonte: Jornal Estado de Minas (11/01/2010).


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