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Polícia de resultados
Fevereiro de 2010

PF passa por choque de gestão para evitar desperdício e assume metas de desempenho e prestação de serviços como as adotadas por grandes empresas em todo o mundo

Na capital do desperdício, um plano de gestão vira pelo avesso a rotina do principal órgão de segurança do país. Com 14 mil servidores e orçamento anual de R$ 4,5 bilhões, a Polícia Federal (PF) resolveu funcionar como as maiores empresas privadas do mundo, estabelecendo metas a serem cumpridas e controlando gastos. Na nova filosofia, estão sob vigília desde o número de inquéritos instaurados ao uso de copinhos plásticos.

Expressão batida no universo empresarial, os efeitos do chamado choque de gestão ainda são raros no serviço público de Brasília. No caso da PF, um planejamento estratégico começou a ser implantado há três anos, mas ganhará em 2010 ajustes externos. A partir de 26 de março, uma carta de serviços será endereçada aos brasileiros, disponibilizada no site da PF. No documento, a corporação se compromete com o cumprimento de ações e prazos, como a entrega de passaportes em no máximo cinco dias. Se o cidadão não estiver satisfeito, terá à disposição um serviço de atendimento para encaminhar reclamações.

Diretor-geral da PF, o gaúcho Luiz Fernando Corrêa garante que esse call center vai funcionar:

– Será uma das maneiras de medir a nossa eficiência. A nossa razão de ser tem que estar clara no dia a dia.

Ex-secretário nacional de Segurança Pública, Corrêa assumiu o comando em 2007, no auge das megaoperações. Junto ao público externo, a PF gozava de credibilidade, mas, na coxia da administração, ele deparou com uma estrutura em crise. Ao renovar, por exemplo, um empréstimo internacional franco-alemão, Corrêa não entendeu por que as áreas de perícia e inteligência estavam comprando o mesmo equipamento. O diagnóstico: não havia comunicação entre os setores.

– Estávamos gastando mal. A regra era a gestão reativa, sem planejamento. Se aparecia um problema, fazíamos puxadinhos na estrutura da polícia – compara.

Uma das metas passou a ser a qualidade da prova, como forma de evitar as prisões inócuas. As superintendências receberam orientação para dar prioridade às prisões preventivas, que exigem investigações mais apuradas. Neste indicador, a eficiência passou de 60% para 75%.

– Os índices de desempenho são importantes. No setor público, pouca coisa era medida. E o que não se mede, não se gerencia – alerta Welerson Cavalieri, consultor líder de projetos do Instituto de Desenvolvimento Gerencial, uma das empresas mergulhadas no projeto de gestão da PF.

Com jeito de empresa privada: alguns indicadores de eficiência da PF

> Prioridade às prisões preventivas
> Percentual de inquéritos relatados frente aos instaurados
> Indiciamentos e condenações na Justiça
> Redução nos custos de contratos (luz, passagens aéreas, combustível, material de escritório)

O INDG presta consultoria para Estados e órgãos públicos em Brasília, como Polícia Federal e Banco Central. Confira algumas dificuldades normalmente encontradas no serviço público

> Baixa autoestima dos servidores
> Pouca motivação
> Chefia com prazo de validade
> Interferência política no quadro de chefia
> Baixa remuneração

Na Polícia Federal, no entanto, o consultor Welerson Cavalieri, do INDG, afirma que não encontrou esses problemas. Segundo ele, o órgão se aproxima mais das características da empresa privada, com uma diretoria colegiada e envolvimento dos líderes no projeto.

Fonte: Jornal Zero Hora - RS (14/02/2010).


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