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| Abril de 2010 |
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Joalheiro contrata consultor Vicente Falconi para reestruturar negócio. Meta é conter a expansão e destacar exclusividade.
Nos anos 90, auge da globalização, a lei de mercado para uma grife de luxo era abrir o maior número possível de lojas. Na época, a bolsa de grife era símbolo máximo de status: quanto mais caro o modelo e mais novo o design, mais poderosa era a dona do acessório. Alta rotatividade fazia parte do negócio ideal. Vinte anos depois, a euforia deu lugar ao resgate de valores clássicos, como exclusividade e durabilidade.
A definição do luxo mudou e duas palavras entraram em moda: nicho e craftsmanship (algo como habilidade manual ou artesanato, em inglês). Os símbolos de status também foram alterados. As joias consideradas caretas voltaram a ser fashion. E, no Brasil, nenhum joalheiro da nova geração brilha mais que Jack Vartanian, recém-adepto da exclusividade. "Depois de anos de expansão, quero focar no meu nicho", diz. "Se abrir muitas lojas vou acabar vendendo um monte de pingentinhos e este não é o meu DNA". Para aprimorar a receita, contratou o consultor Vicente Falconi, conselheiro de gigantes como Ambev, que vai ajudá-lo a reestruturar o negócio.
Nesta noite, o joalheiro festeja 10 anos de seu primeiro ponto de venda, na boutique paulistana NK Store, de Natalie Klein. Com quatro lojas no Brasil e uma no número 996 da Avenida Madison, em Nova York, Vartanian tem 70 funcionários e conta que em maio fechará a loja de Brasília e abrirá mais uma no Rio de Janeiro. Em 2009, ao contrário dos anos anteriores, quando crescia uma média de 30%, ele ficou no zero a zero - patamar bom se comparado com o mercado mundial que caiu cerca de 40%.
Para 2010, ele ainda não fala em crescimento, mas em focar no atendimento, dar menos ênfase às coleções fixas (Dia das Mães e dos Namorados e fim de ano) e voltar a fazer peças únicas, para continuar agradando as clientes fiéis, que não se importam em pagar R$ 15 mil por um anel de esmeralda, uma peça que ele recomenda usar na praia, como acessório para o biquini. Sim, na areia mesmo, porque o trabalho de Vartanian ajudou a desmistificar as joias.
Antes dele, as joias usadas no dia a dia eram peças feitas apenas de ouro. Aquelas com pedras preciosas eram relíquias tiradas das caixinhas em ocasiões especiais. "Faço joia de design, divertida e fashion, para usar com jeans. Procuro resgatar os anos 20 e 30 quando elas acompanhavam os movimentos artísticos", afirma. Filho de um grande distribuidor de pedras preciosas e irmão do também joalheiro Ara Vartanian, Jack trabalha no prêt-à-porter, mas faz colares de diamantes que chegam a custar R$ 400 mil.
Pirataria de luxo
Assim como a moda, o mercado das joias também trabalha com tendências. O auge atual são pedras pretas, porém, os diamantes brancos e as esmeraldas ainda são as mais valorizadas. O primeiro hit de Vartanian foi um anel com corações nas laterais e, na sequência, um brinco de franjas, uma das peças mais copiadas da história da joalheria nacional. "Nunca liguei muito para as cópias, mas nos últimos tempos avacalhou. Vi gente vender peças 'tipo do Jack', que eram releituras. Agora fazem cópias idênticas e imediatas, então, vou tomar medidas judiciais", diz. Vartanian lembra que na semana seguinte ao lançamento da coleção Punk, em setembro, viu imitações de seus pingentes de morcegos sendo vendidas na internet.
Para combater a pirataria, ele também aposta na venda on-Iine. Apesar de ter uma coleção de apenas 20 itens em sua recém-inaugurada loja virtual todo dia pelo menos uma venda é feita e, até hoje, não houve reclamações. "Acabei de organizar a logística do on-line e, daqui um mês, vou fazer uma revisão e colocar mais produtos. Nosso objetivo é vender bem mais que os R$ 40 mil que o site fatura desde novembro, quando a loja foi aberta."
Fonte: Jornal Brasil Econômico (06/04/2010).